O Festival

A nona edição do Porão do Rock está mais extensa. São mais bandas, de diferentes estilos e que fazem 25 horas de shows divididos em três noites, de sexta (2/6) a domingo (4/6), respectivamente, a partir das 19h, 18h e 17h. O maior festival independente de rock do País, com isso, também ficou mais caro (confira preços no serviço). Desta vez, os ingressos cobrem um line up mais numeroso de bandas famosas.

Na noite de abertura, dedicada ao hard rock, metal, hardcore e punk rock, a presença mais marcante será a de Paul Di'Anno. Lenda viva do heavy metal, o músico inglês foi o primeiro vocalista do Iron Maiden (substituído após o segundo disco, em 1981, por Bruce Dickinson) e vem pela segunda vez a Brasília, agora com o show The Living Dead, no qual será acompanhado pela banda brasiliense Slug. Na mesma noite, tocam ainda o veterano grupo punk paulista Cólera e suas conterrâneas Torture Squad e Lobotomia (substituindo a canadense Anvil, que cancelou a turnê). A banda norte-americana Ankla também debandou de última hora do festival. Mas a escalação completa-se com a carioca Matanza e a gaúcha Krisiun, que fecha a noite com participação especial do guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser.

No dia seguinte, os destaques nacionais vão para a oitentista Ultraje a Rigor o quinteto carioca Detonautas, que lança o CD PsicodeliaAmorSexo&Distorção, o mais pesado da carreira da banda. Antes deles, porém, o Porão traz algumas novidades do rock alternativo brasileiro que começam a fazer sucesso nacionalmente: Forgotten Boys e Luxúria, ambas de São Paulo. O conjunto internacional convidado, ainda pouco conhecido por aqui, é  o argentino Los Natas, que faz um rock retrô cujo estilo pode ser situado entre as décadas de 60 e 70.

O domingo encerra as atividades com uma noite mais pop, dedicada a uma ampliada gama de estilos. O som vai desde o rock'n'roll cru do Titãs ao regional da banda pernambucana Cordel do Fogo Encantado. Entre eles, o público poderá assistir a shows de blues (com o guitarrista brasiliense Haroldinho Mattos), instrumental (com a banda uruguaia Supersónicos) e pop rock (com o quarteto mineiro Skank).

O rock de Brasília abocanha uma fatia considerável da programação. Historicamente, tocam as bandas Los Tranqüilos e Prot(o),  representantes do movimento que deu origem  ao festival. E há os grupos convidados, entre eles, Totem, Bois de Gerião e Phonopop. Todos os cinco aproveitam o festival para lançar seus respectivos álbuns. A outra metade de representantes locais, que conseguem pela primeira vez o passaporte para tocar no Porão,  foi escolhida em seletiva realizada há três semanas. São eles: Lucy and the Popsonics, Capotones, Superaudio, Capitão do Cerrado, Phrenesy, Bruto e Os Maltrapilhos.

Paralelamente aos shows, o Porão cedeu à moda das tendas eletrônicas e criou programação alternativa para quem prefere dançar ao som do tuntistum. Na primeira noite, os sets eletrônicos ainda são voltados aos derivados do rock'n'roll. Estrelam como DJs o baterista do Sepultura, Igor Cavalera; o baixista da Pleber Rude, André X; Balé, ex-baterista da extinta Escola de Escândalos; Abelardo Mendes Jr, produtor do programa de rádio Cult 22; JVC e Montana, DJs dos mais atuantes em festas de rock da cidade.

Sábado e domingo, o público poderá escapar do som das guitarras distorcidas e se refugiar nas pick-ups de hip hop (dos DJs Celsão e Ocimar), techno (de LuiJ, Hopper e Poeck) e trance (de Mau Mau, Mack, Sarto, CH5 e Groove Connection Live).
O Porão do Rock, que também dá nome a uma ONG, desenvolve durante os shows quatro ações sociais. Com a arrecadação de alimentos, o festival contribui com o programa Mesa Brasil, do Sesc. Outra ação é direcionada à conscientização da coleta seletiva de lixo, para fornecer material reciclável para a cooperativa 100 Dimensão, do Riacho Fundo. As outras duas campanhas funcionam como reforço aos programas Se Beber, Não Dirija e Picasso Não Pichava.

Porão do Rock 2006
Sexta (2/6), a partir das 19h; sábado (3/6), a partir das 18h; domingo (4/6), a partir das 17h, no estacionamento do Estádio Mané Garrincha (Eixo Monumental). Ingressos para sexta: R$ 40 (inteira, pista) e R$ 60 (inteira, camarote). Ingressos para sábado e domingo: R$ 50 (inteira, pista) e R$ 80 (inteira, camarote). Passaporte para os três dias: R$ 80 (inteira, pista). Meia-entrada para estudantes e doadores de 1kg de alimento não-perecível.
Pontos de venda: Quiosque do Porão do Rock (Pier 21), Discoteca 2001 (todas as lojas), Chilli Beans (ParkShopping, Pátio Brasil e Pier 21), Fun House (Conic e Taguatinga Shopping), Co-Mix (Conic), Kingdom Comics (Conic), Universo Tattoo (311 Norte), GTR (111 Sul, 708/709 Norte e 304 Sudoeste), Porão 666 (Taguatinga Centro),  Abriu pró Rock (Gama Shopping). Camarote: Lojas Free Corner e pelos sites www.ingressonahora.com.br ou www.ingressoemcasa.com.


 

História
A primeira edição do Porão do Rock, em 1998, saiu literalmente do subsolo. O evento foi criado por integrantes de 15 bandas da cidade, que conviviam no subsolo do Bloco A da 207 Norte, lugar conhecido como Porão do Rock pela quantidade de estúdios de ensaio e gravação que abriga.

As duas primeiras edições, em 1998 e 1999, foram realizadas na Concha Acústica, na orla do Lago Paranoá, com entrada franca. Reunindo 50 mil pessoas, com a apresentação de várias bandas do DF, o festival teve como destaque a reunião da banda Plebe Rude, separada havia 10 anos. No ano seguinte, o evento se mudou para o estacionamento do Estádio Mané Garrincha, onde é realizado até hoje. Os brasilienses puderam conferir, gratuitamente, Raimundos (DF), Natiruts (DF), Lobão (RJ), Tihuana (SP), Ratos de Porão (SP), Mundo Livre S/A (PE), Rumbora (DF), Sepultura (MG), Rodox (SP) e Leela (RJ).

Em 2002, o Porão do Rock tornou-se uma organização não-governamental, com o objetivo principal de dar visibilidade aos artistas locais. A ONG também realiza ações sociais como a arrecadação de alimentos não perecíveis e campanhas de conscientização.

Em 2003, por falta de patrocínio, a organização passou a cobrar ingresso e, desde então, passaram pelos palcos artistas aclamados, como Paralamas do Sucesso (RJ), Barão Vermelho (RJ), Los Hermanos (RJ), Nação Zumbi (PE), Pitty (BA), O Rappa (RJ), Marcelo D2 (RJ), CPM 22 (SP), Peligro (EUA), Pato Fu (MG), Shaaman (SP), Dead Fish (ES), Supla (SP), Massacration (SP) e Dr. Sin (SP), entre muitos outros. Estima-se que 560 mil pessoas assistiram ao Porão do Rock até a edição de 2005.