Segundo dados revelados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) divulgado hoje foram criadas 196.913 vagas em abril, o pior resultado desde 2009, mês em que foram geradas 106.205 vagas. Na comparação com abril de 2012, a geração de vagas caiu 9,25%, já que naquele mês haviam sido gerados 216.974 postos de trabalho.
Em relação à março passado, foi registrado um aumento de 75% na geração de vagas. No mês anterior foram criadas 112.450 postos de trabalho. Os números são conflitantes em alguns aspectos. A presidente Dilma comemora que seu governo conseguiu auxiliar a geração de mais de quatro milhões de vagas. Mas o resultado é inferior ao projetado.
Presidente Dilma Rousseff, 21 de maio de 2013
10h00 - Guido Mantega, Ministro da Fazenda, Palácio do Planalto
11h30 - Ideli Salvatti, Ministra-Chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República
15h00 - Pepe Vargas, Ministro do Desenvolvimento Agrário
17h00 - Helena Chagas, Ministra-Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Agendas dos outros poderes:
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Especialistas consultados para a formulação do Boletim Focus, do Banco Central, reduziram a perspectiva de crescimento da economia brasileira a 2,98% após cinco semanas projetando expansão de 3%. Para 2014, a projeção de crescimento do PIB foi mantida em 3,5% pela décima semana seguida.
Em relação à produção industrial, a perspectiva de crescimento neste ano foi reduzida a 2,50%, contra 2,53 % na pesquisa anterior. Em relação à inflação, as projeções foram mantidas em 5,80% tanto para este ano quanto para 2014. Mas para os próximos 12 meses, a perspectiva foi elevada a 5,64%, frente a 5,57% na semana anterior.
Presidente Dilma Rousseff, 20 de maio de 2013
08h30 - Partida para Recife/PE, Base Aérea de Brasília
10h50 - Chegada a Recife, Base Aérea do Recife
11h30 - Cerimônia alusiva à primeira viagem do navio petroleiro
"Zumbi dos Palmares", Suape / Ipojuca
13h30 - Almoço com trabalhadores do setor da construção naval e
marítimo, Estaleiro Atlântico Sul - Ipojuca
15h30 - Primeiro evento-teste de futebol da Arena Pernambuco, São Lourenço da Mata
17h00 - Partida para Brasília, Base Aérea do Recife
19h20 - Chegada a Brasília/DF, Base Aérea de Brasília
Agendas dos outros poderes:
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Ulysses Guimarães disse a um interlocutor que se ele achava o nível do Congresso da época muito ruim, deveria esperar para conhecer o próximo. Era uma visão pessimista do grande timoneiro que levou o plenário durante mais de um ano a realizar seguidas votações – algumas extremamente polêmicas – mas conseguiu concluir o difícil trabalho de aprovar uma nova Constituição para o país. Isso ocorreu em 1988. De lá para cá os parlamentares se especializaram em promover espetáculos que não dignificam o nobre exercício da política pública no Brasil.
É preciso reconhecer que o parlamento reflete o país. Ele não pode ser diferente do que pretendem, enxergam ou pensam os eleitores. É fácil criticar o Congresso que é um poder desarmado. Aberto à curiosidade dos jornalistas e do povo em geral. O deputado ou o senador tem obrigações com aquela pessoa, que lá no interior, deu seu voto a ele. Algumas atitudes não são compreendidas em Brasília, mas explicáveis na base. Seja por amizade, seja por interesse. Em qualquer lugar do mundo democrático, os parlamentares são alvo da ação de lobistas.
Poder - Todo poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. Os militares quando estavam mandando no país sofreram os mesmos problemas. Eles achavam que a hierarquia poderia protegê-los. Ingenuidade. A disputa pela presidência da República, cargo exclusivo de generais de quatro estrelas, passou a ser contestada dentro dos quartéis. Oficiais queriam ser ouvidos. A escolha do então presidente Médici passou por uma espécie de consulta informal nos comandos de todo o país. Ninguém senta na cadeira presidencial imune a contatos, convites, gentilezas e amabilidades de todos os tipos.
Foi neste período, por exemplo, que a indústria automobilística brasileira, implantada no governo JK, começou a ganhar corpo no Brasil. Um lobby fortíssimo fez com que essa atividade fosse protegida da concorrência – o que acontece até hoje – e o governo decidisse desativar o sistema ferroviário. Naturalmente para favorecer a venda de caminhões. Hoje, a luta é inversa. Construir ferrovias, porque além das cidades a estradas também estão congestionadas. O agronegócio brasileiro é de primeiro mundo da porteira para dentro. Mas no capítulo infraestrutura a situação é crítica. É por essa razão que a Medida Provisória que tenta mexer em alguns fundamentos da atividade portuária provocou tantos embates e discussões madrugada a dentro.
Ferrovias precisam estar conectadas a portos. Não adianta colocar o trem para andar de um lado para outro se ele não conduzir produtos que cheguem ao mercado internacional. Um belo exemplo, neste particular, é o trabalho da Vale na exploração de minério no sul do Pará, em Carajás. A extração do produto é uma atividade que justifica o trem, de 330 vagões, com um quilômetro de comprimento, faça a viagem em segurança, monitorado desde a origem até o porto de Itaqui, no Maranhão. A empresa exporta, por aquele caminho, cem milhões de toneladas por ano. Está iniciando a construção da segunda linha férrea que vai transportar o minério da Serra do Sul, na mesma área, e dobrar o volume de exportação.
Há um trem de passageiros que leva o pessoal de uma ponta a outra da linha. É serviço especial destinado a atender a população do local. Atividade de caráter social. Visa ajudar a população de baixa renda que vive na região. Transporte ferroviário de passageiros, aliás, com alta ou baixa velocidade, costumar proporcionar prejuízos monumentais na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos.
Trem e navio - Sem porto eficiente não há razão para ter ferrovia. Um precisa do outro. No caso brasileiro, ocorre um fenômeno novo. O agronegócio explodiu no centro-oeste, escorregou para o noroeste, Rondônia e Acre, e já alcançou o Piauí e o sul do Maranhão. Mas a grande produção está localizada nos dois Mato Grosso, em Goiás e em Tocantins. Existe até uma nova região, chamada de Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), onde a produção é excepcional, inclusive em áreas de seca. A safra de mais de 180 milhões de toneladas precisa chegar ao litoral e ganhar o mundo. Os caminhões não mais são suficientes para o transporte. As estradas sofrem com os gigantes de 80 toneladas.
De repente, o brasileiro descobriu que seu sistema portuário é anacrônico, está em algum ponto dos anos sessenta no século passado, quando o café era embarcado nas costas do trabalhador avulso. Hoje os enormes navios são carregados e descarregados por máquinas descomunais, gigantescas, que trabalham dia e noite. Enchem um navio de minério de 400 mil toneladas em pouco mais de 24 horas. Utilizam esteiras de quilômetros de comprimento. Enfim, é tudo mecanizado, informatizado e organizado. Acabou o amadorismo neste setor. Esses números explicam as discussões, os debates e a permanente pressão dos muitos interesses que se cruzaram no plenário da Câmara nos últimos dias.
O Congresso, neste caso, não ficou menor, nem maior. Apenas refletiu a dificuldade que existe em modernizar o país. Trabalhadores queriam garantir a sua reserva de mercado. Proprietários antigos pretendiam manter privilégios, os novos querem entrar no negócio e todos desejam empurrar a concorrência para debaixo do tapete. O tempo vai dizer se o que foi aprovado funciona, de fato. O que não funciona é a fila de caminhões diante do porto de Santos, carregados de soja, enquanto uma centena de navios aguarda ao largo para receber a carga. É prejuízo para todos os lados e aumento do famoso custo Brasil.
Artigo publicado hoje no Jornal de Brasília.
Alguém, algum dia, vai contar a história dessa inédita trapalhada do governo federal na negociação (?) da Medida Provisória dos Portos. Seus negociadores e porta-vozes deixaram tudo para o último minuto e agora correm o sério risco de perder no Senado o que foi conquistado na Câmara. O presidente vai ter que parar o relógio do plenário porque dificilmente até meia-noite todo o texto estará votado.
O texto é polêmico e vai receber vetos da presidente. Ninguém sabe, com certeza, o que vai sair do debate da tarde hoje no Senado. Os senadores são mais difíceis de negociar, embora a maioria governista seja – mais ou menos – sólida. É difícil prevero resultado final, mesmo porque a oposição vai bater nas portas do Supremo tribunal Federal para solicitar liminar do mandado de segurança que proíbe a votação da MP.
Será um dia longo para os senadores.
Presidente Dilma Rousseff, 16 de maio de 2013
09h30 - José Eduardo Cardozo, Ministro da Justiça, Palácio do Planalto
10h00 - Celso Amorim, Ministro da Defesa, Palácio do Planalto
11h00 - Miriam Belchior, Ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão
15h00 - Aguinaldo Ribeiro, Ministro das Cidades
Agendas dos outros poderes:
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A novela da aprovação da Medida Provisória dos portos continua a se desenrolar no Congresso. O governo descobriu tardiamente que pode fazer pressão sobre os parlamentares e acenar com benesses. Costuma funcionar. Mas descobriu muito tarde. Amanhã, quinta-feira, a MP vai cair por decurso de prazo.
Tarde muito tarde. Se for aprovada por uma daquelas mágicas que os senadores sabem fazer, a dívida será muito elevada. Se não for, restará a lição. É preciso trabalhar cedo e não deixar as decisões para o último minuto.
Presidente Dilma Rousseff, 15 de maio de 2013
00h30 - Chegada a Brasília/DF, Base Aérea de Brasília
15h00 - Antônio Andrade, Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Palácio do Planalto
Agendas dos outros poderes:
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A polêmica continua na Câmara dos Deputados. Os interesses envolvidos na Medida Provisória são imensos. Há quatro portos, que estão praticamente prontos, são privados, e apenas esperam a aprovação da nova legislação. Os trabalhadores dos principais portos brasileiros já entraram em greve para impedir a votação. E os ânimos continuam exaltados. A disputa entre portos públicos e privados é intensa.
A sessão foi suspensa na Câmara neste momento. Será reaberta no final da tarde e tem tudo para entrar pela madrugada. É assunto sério. Se passar, o assunto terá que ser aprovado em ritmo alucinante no Senado, porque a Medida Provisória caduca por decurso de prazo na próxima quinta-feira. O histórico das negociações do governo federal com o congresso não é bom.
Presidente Dilma Rousseff 14 de maio de 2013
10h30 - Guido Mantega, Ministro da Fazenda, Palácio do Planalto
11h15 - Antônio Andrade, Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
15h00 - Paulo Sérgio Pinheiro, Coordenador da Comissão Nacional da Verdade
16h30 - Partida para Porto Alegre/RS, Base Aérea de Brasília/DF
Agendas dos outros poderes:
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O mercado financeiro elevou a previsão de inflação para 2013, de acordo com analistas consultados pelo Banco Central (BC). Os preços devem ficar 5,8% mais altos neste ano, contra previsão anterior de 5,71%.
Segundo informações do Boletim Focus, os analistas apostam que a alta será impulsionada pelos "preços livres", ou seja, aqueles definidos pela concorrência natural do mercado. Isso porque os economistas reduziram a previsão de alta dos chamados "preços administrados", cujos aumentos são controlados pelo governo.
A expectativa para a cotação do dólar passou de R$ 2 para R$ 2,01, para o final deste ano, e permaneceu em R$ 2,05, ao fim de 2014. A previsão para o superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) passou de US$ 10 bilhões para US$ 9,05 bilhões, neste ano, e de US$ 10,8 bilhões para US$ 10,20 bilhões, em 2014.
Para o déficit em transações correntes, a estimativa foi alterada de US$ 70 bilhões para US$ 70,05 bilhões, em 2013, e de US$ 74,3 bilhões para US$ 74,8 bilhões, em 2014. Já a expectativa para o investimento estrangeiro direto foi mantida em US$ 60 bilhões tanto para 2013 quanto para o próximo ano.
Presidente Dilma Rousseff, 13 de maio de 2013
10h00 - Partida para São Paulo/SP, Base Aérea de Brasília
11h20 - Chegada a São Paulo, Aeroporto de Congonhas
12h00 - Encontro bilateral com o Presidente da República Federal
da Alemanha, Joachim Gauck, World Trade Center
13h00 - Declaração à imprensa
13h30 - Almoço em homenagem ao Presidente da República Federal
da Alemanha, Joachim Gauck
14h40 - Cerimônia de abertura do Encontro Econômico Brasil- Alemanha - EEBA 2013
16h10 - Partida para Brasília, Aeroporto de Congonhas
17h30 - Chegada a Brasília/DF, Base Aérea de Brasília
Agendas dos outros poderes:
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Manobras diplomáticas são difíceis de entender no primeiro momento. Tendem a esconder conseqüências sob o denso linguajar dos expoentes da casa de Rio Branco. A vitória do embaixador Roberto Azevêdo na disputa contra Herminio Blanco para assumir o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio resulta de trabalho sério do governo brasileiro. Foi um desempenho brilhante que a modéstia itamaratiana não permite revelar. Os países emergentes ficaram com a candidatura brasileira. Do outro lado, estavam a União Européia, Japão e Estados Unidos.
Não é uma disputa simples. Foi preciso muita viagem, muitas conversas, muitos telefonemas para que o resultado fosse favorável ao Itamaraty no plenário de 159 votantes – o número de países que integram a organização. Mais de noventa sufragaram o nome do brasileiro. A presidente Dilma Rousseff hesitou até o último momento antes de dar o aval à candidatura do brasileiro. Contra ele pesava, no Brasil, o fato de ser amigo de Luiz Felipe Lampreia, ministro de Relações Exteriores do governo FHC. Superado este obstáculo, a máquina diplomática brasileira passou a trabalhar a favor do candidato.
Comemoração - A vitória aconteceu, garrafas de champanhe foram abertas no Brasil e na Suíça, onde fica a sede da OMC. O reconhecimento veio devagar, mas chegou. Um dos primeiros foi o do governo dos Estados Unidos, que não fez oposição ao brasileiro. O pessoal em Washington votou no mexicano para homenagear o parceiro e também o personagem central do acordo chamado de NAFTA, que criou o livre comércio entre os dois vizinhos do norte. É uma situação diferente de França, Suécia e Bélgica cujos governos trabalharam contra o candidato brasileiro. Alguma retaliação virá na medida própria e no momento oportuno.
O personagem é brasileiro e sempre justifica o ôba-ôba nacional. Mas a vitória de representante de um país emergente pode – é bom sublinhar, pode – significar alguma coisa diferente no cenário do comércio entre as nações. É bom lembrar que o brasileiro teve apoio dos governos da Rússia, África do Sul, Índia e da China, que deverá receber cargo importante na organização. Os africanos também votaram no brasileiro. O compromisso é todo ele voltado para os emergentes. Faz sentido a oposição dos governos da União Europeia. Eles, além da crise econômica, não estão em condições de falar em liberalização de comércio e fim de subsídios.
O Brasil é conhecido no mundo desenvolvido como país protecionista. É verdade. A atual administração mexe em impostos e taxas na defesa do produto nacional. Os financiamentos do BNDES, a taxas subsidiadas, modificam o perfil dos negócios e dos investimentos. Tudo isso está no radar do investidor estrangeiro e das empresas que competem com produtos nacionais. Mas na posição de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Roberto Azevêdo não terá condições, nem oportunidade, para discutir questão internas de seu país. Sua primeira tarefa é a mais importante é recolocar na mesa de negociações protagonistas capazes de avançar nos acordos de trocas.
É preciso lembrar que a inexistência de normais gerais de comércio favorece o mais forte. Quem detiver mais poder de barganha ou o poder dos canhões sai ganhando nessa briga. A OMC é herdeira do GATT – Acordo Geral de Comércio e Tarifas, criado na reunião de Bretton Woods, realizada após o término da Segundo Guerra. O objetivo de seus idealizadores foi encontrar algum tipo de harmonia que evitasse confronto entre países capazes de promover grande destruição, física ou financeira. O mundo mudou muito desde 1945. A OMC é esperança de que algumas normas e procedimentos sejam aceitos pela maioria.
A agricultura europeia é largamente subsidiada pelos governos da região. No Japão, também. Eles não admitem discutir este tópico. Se acabar o subsídio, os agricultores vão se mudar para as grandes cidades e o campo ficará vazio. A contrapartida é que os grandes empreiteiros querem disputar obras no Brasil e na América Latina. Há dificuldades neste tema, também. A resposta ao desafio tem sido o estabelecimento de acordos bilaterais. Diretos, sem intermediários. Está em estudo um tratado de livre comércio a ser assinado entre União Européia e Estados Unidos. Será, se confirmado, o maior mercado do mundo.
Irrelevância - Tudo isso, a partir do dia 1º de setembro, estará no radar do brasileiro encarregado de negociar conflitos, aparar arestas e tentar o consenso possível. Não há decisões unilaterais em organismo deste porte. Tudo é consensual. Difícil. O brasileiro chegou lá por méritos próprios, mas também porque o mundo emergente resolveu colocar algumas cartas sobre a mesa. Afinal de contas, são estes países responsáveis pelo que resta de fôlego no comércio internacional. Apesar dos pesares, as relações de troca continuam crescendo. Os chineses estão, naturalmente, à frente, deste processo.
O Brasil deverá repetir neste ano o número frustrante em termos de crescimento. Segundo previsões dos analistas o produto interno bruto deverá superar em apenas 2% o resultado de 2012. Mesmo com o Brasil fora do círculo das economias mais vibrantes, o país ainda está em sétimo lugar na escala das dez maiores. O risco que o representante brasileiro precisa se proteger é o de que as grandes potências simplesmente releguem a OMC ao esquecimento. Decretem sua irrelevância. Não é novidade. Quando quis invadir o Iraque, o governo de Washington colocou a ONU de lado e fez o que quis. Pode acontecer de novo.
Artigo publicado hoje no Jornal de Brasília.
A incrível dificuldade que o governo federal enfrenta para lidar com sua própria base de sustentação no Congresso já é motivo para algo além da preocupação. Os líderes batem cabeça e não raro decidem contra aquilo que o Planalto trabalha. A presidente Dilma Rousseff fez hoje um apelo público para que a Medida Provisória dos Portos seja votada – caso contrário ela perde a validade.
Mas ninguém tem garantias de que isso vá acontecer. Os líderes começam a ter dificuldades para segurar os liderados que enxergam novas oportunidades nas próximas eleições. E os acordos estaduais são diferentes dos interesses nacionais. O resultado é que os projetos de interesse do governo caminham com muita lentidão, quando conseguem sair do lugar.
Presidente Dilma Rousseff, 09 de maio de 2013
10h00 - Cerimônia de posse do Ministro-Chefe da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, Palácio do Planalto
16h00 - Cerimônia oficial de chegada do Presidente da República da Venezuela, Nicolás Maduro
16h20 - Encontro bilateral com o Presidente da República da Venezuela, Nicolás Maduro
17h30 - Declaração à imprensa
18h30 - Jaques Wagner, Governador da Bahia
Agendas dos outros poderes:
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A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo chegou a 0,55% no mês de abril. Em março, a alta havia sido de 0,47%. A media das estimativas dos analistas de mercado era de um avanço de 0,48% para o índice. Com o resultado hoje divulgado, em 12 meses, o IPCA acumulado voltou a ficar abaixo do teto da meta de inflação perseguida pelo governo, com alta de 6,49%. O teto da meta é 6,50%.
No mês passado, pela primeira vez desde novembro de 2011, o IPCA ultrapassou o teto da meta de inflação perseguido pelo governo. O índice alcançou a 6,59% nesta conta — a meta de inflação do governo para este ano é de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos para baixo e para cima, ou seja, no limite, até 6,5%.
Presidente Dilma Rousseff, 08 de maio de 2013
11h00 - Cerimônia oficial de chegada do Presidente do Egito, Mohamed Morsi, Palácio do Planalto
11h20 - Encontro com o Presidente do Egito, Mohamed Morsi
12h30 - Cerimônia de assinatura de atos
12h40 - Declaração à imprensa
13h00 - Almoço em homenagem ao Presidente do Egito, Mohamed Morsi, Palácio Itamaraty
16h00 - Gleisi Hoffmann, Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Palácio do Planalto
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Afif Domingos, o novo ministro do novo ministério da micro e pequena empresa, terá dificuldades para assumir seu novo cargo e manter a posição de vice-governador de São Paulo. Segundo as leis em vigor, não dá. Ou um ou outro. Acumular cargos no poder executivo é proibido por lei. Além disso, os deputados estaduais paulistas podem entender que o cargo de vice-governador está vago. Aí ele perde o emprego.
Trabalho muito bem realizado pelo Itamaraty. O brasileiro, baiano, Roberto Azevêdo, 55 anos, venceu a disputa com o mexicano Herminio Blanco e vai assumir o comando da Organização Mundial do Comércio. Sua vitória será formalizada em 14 de maio, em reunião com todos os países-membros da organização. Azevêdo substituirá o diretor-geral Pascal Lamy. É a primeira vez que um latino-americano assume a organização internacional. O brasileiro assume o posto a partir de 1º de setembro.
Até o início da manhã de hoje, já haviam sido contabilizados 93 votos a favor de Azevêdo. Para vencer, é preciso ter 80 votos, no total de 159 países-membros. Além disso, tem peso fundamental a representatividade do candidato em todos os continentes. O Brasil teve votação de grande parte das Américas, dos Brics (bloco de países formado por Brasil, Rússia, China e África do Sul) e dos países africanos.
Os europeus, votaram em bloco contra o candidato do Brasil, junto com os americanos, que não revelaram seu voto. A questão é que o governo brasileiro quer a abertura do mercado agrícola em todo o mundo e o fim dos subsídios. A agricultura norte-americana é subsidiada. A européia e japonesa não existiriam sem os subsídios governamentais.
Baiano de olhos verdes, com porte atlético nadador nas horas vagas, simpatia e inteligência para esbanjar, Azevêdo, de 55 anos, casado com a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Azevêdo, com quem tem três filhas, já tem seu fã clube na organização. Sua campanha, no entanto, se concentrou no essencial: embaixador do Brasil na OMC desde 2008, especialista em comércio, ele é considerado o homem que conhece profundamente os meandros da instituição. E mais: tem fama de bom negociador.
A Organização Mundial do Comércio foi criada em 1994, mas suas raízes nasceram no pós-guerra, com a celebração do chamado Gatt, o Acordo Geral de Tarifas e Comércio, na sigla em inglês, que consolidava princípios gerais de comércio internacional. O acordo tinha caráter provisório e precederia a Organização Internacional do Comércio, que fora prevista na Conferência de Bretton-Woods, de 1944. Apenas em 1994, após a Rodada de Comércio do Uruguai, foi criada a Organização Mundial do Comércio.
A boa vitória diplomática brasileira areja um pouco o ambiente no Palácio do Planalto. A presidente estava muito pressionada por causa da inflação e dos resultados pífios dos números do comércio exterior. Agora, tem algo para festejar.
Presidente Dilma Rousseff, 07 de maio de 2013
15h00 - Fernando Bezerra, Ministro da Integração Nacional, Palácio do Planalto
16h00 - Edison Lobão, Ministro de Minas e Energia
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Exemplo de como o governante trata a coisa pública. As cadeiras do Estádio Nacional Mané Garrincha iriam simular a bandeira brasileira. Teriam as cores verde, amarelo e azul. De repente veio a ordem: todas deveriam ser vermelhas. E assim foi. Já estão instaladas. É a mensagem subliminar, naturalmente, petista.
Contados doze meses até março passado, a inflação no Brasil atingiu 6,59%. Foi além do teto da meta perseguida pelo governo, que é de 6,5%. Para 2014, os especialistas consultados pelo Banco Central, no Boletim Focus, subiram a estimativa de 5,71% para 5,76%.
Os assessores consultados semanalmente pelo Banco Central mantiveram a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo em 5,71% para este ano. Isso indica que o mercado financeiro ainda não sabe o que esperar sobre o comportamento da inflação de abril, que será divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Os analistas reduziram a previsão de superávit da balança comercial brasileira. Para o mercado financeiro, o saldo entre as vendas de produtos e serviços brasileiros para o exterior e a importação desses itens deve ficar positiva em apenas US$ 10 bilhões, contra uma previsão anterior de US$ 10,25 bilhões.
Os analistas reduziram ainda mais a estimativa de saldo positivo para a balança comercial (mais exportações do que importações) após o resultado obtido no mês passado. Em abril, o rombo ficou em US$ 994 milhões, o pior para o mês da história.
As previsões para o desempenho da economia não sofreram alterações em relação às estimativas da semana anterior e permanecem em 3% (2013) e 3,5% (2014).
Presidente Dilma Rousseff, 06 de maio de 2013
09h30 - Partida para São Paulo/SP, Base Aérea de Brasília
10h50 - Chegada a São Paulo/SP, Aeroporto de Congonhas
11h15 - Cerimônia de posse do Presidente Rogério Amato e Diretorias da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Clube Monte Líbano - Av. República do Líbano, nº 2.267
12h40 - Partida para Brasília/DF, Aeroporto de Congonhas
14h - Chegada a Brasília/DF, Base Aérea de Brasília
16h - Sergio Marchionne, CEO mundial do Grupo Fiat, Palácio do Planalto
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Alguém já disse: no Brasil é mais difícil que prever o futuro que adivinhar o passado. O passado não passa por aqui. Ele volta ao presente com múltiplas facetas. Os temas são recorrentes. A inflação reapareceu. Era assunto que parecia morto e enterrado. Assusta porque retorna com violência e provoca até proposta de indexação de salários. Ao que parece, as pessoas esqueceram o que se passou aqui na década de oitenta, a disparada de preços e, naturalmente, todas as suas conseqüências. Ninguém sabia o valor dos bens, não havia financiamentos e os principais negócios eram realizados em dólar.
Na política os exemplos são mais eloqüentes. Até hoje não se encontrou a fórmula de representação parlamentar adequada a um país com dimensão continental e quase duzentos milhões de habitantes. É curioso que todos os parlamentares fazem discursos favoráveis à reforma política. Mas o assunto não consegue ser votado. Economistas também falam muito da reforma tributária e o tema jamais ultrapassa a área da cogitação universitária. Fica tudo no discurso, nas boas intenções e muito além do possível compromisso.
Reformas - O país tinha as contas externas razoavelmente arrumadas. Assim foi nos últimos anos. Neste 2013, as exportações desabaram, as importações se multiplicaram e onde havia lucro agora há prejuízo. Onde existia superávit viceja o déficit. Esse vai e vem contínuo dos debates nacionais proporciona certo tédio. O país revisita seus problemas com regularidade, mas não avança. A Comissão da Verdade, por exemplo, está redescobrindo o que já se sabia há algumas décadas. Os fatos se passaram há quarenta anos. Não existe espaço para reescrevê-los. Não há avanços.
Quando o exército norte-americano descobriu os horrores do campo de concentração de Buchenwald, na Alemanha, o general Eisenhower obrigou a que todos os moradores das cidades próximas fossem visitá-lo. Eram obrigados, sem maus tratos, a percorrer todo o campo, ajudar a enterrar os mortos e limpar as acomodações. Depois eram liberados para retornar, a pé, em segurança, às suas residências. O objetivo foi evitar que os civis alemães pudessem, no futuro, dizer que não souberam das atrocidades nazistas. E os chefões foram julgados em Nuremberg, cidade símbolo das grandes manifestações em favor de Hitler.
Esquecer - Na Alemanha, o terrível passado passou. No Japão também, embora ainda remanesça desconfiança latente com a China. O exército japonês invadiu a China em 1935, escravizou muita gente, matou milhares e ainda criou um país títere na Mandchuria chamado Manchuoko. E os norte-americanos jogaram duas bombas atômicas, uma em Hiroxima e outra em Nagazaki. Além de terem destruído a Alemanha. Os italianos esqueceram a empáfia grandiloqüente de Mussolini. Os partisans prenderam seu líder, o mataram junto com Clara Petacci, e penduraram os dois, de cabeça para baixo, num posto de gasolina perto de Milão. Tudo isso é passado.
Esses fatos ocorreram há cerca de sete décadas. A União Soviética invadiu metade da Europa. E submeteu diversos países ao rigor socialista, com fortes traços stalinistas. Mas também isso passou. São exemplos notáveis de povos que sofreram muito e souberam, no espaço de algumas gerações, encontrar o caminho da solidariedade e da pacificação para construir um futuro razoavelmente progressista. A União Européia é uma conquista dos políticos. Os homens do mercado financeiro estão muito perto de destruir o que a paciência e determinação de alguns líderes alcançou. Aqui, contudo, os poucos momentos de trabalho conjunto em favor do futuro melhor são bombardeados pelos fantasmas do passado.
Eles reaparecem. Antecipação da campanha sucessória tirou vários deles das gavetas onde estavam placidamente esquecidos. Campanha paralisa o governo. É impossível misturar boa administração com preocupações populistas. Uma coisa ou outra. A oposição que esteve calada nos últimos tempos, silente e sem pauta, descobriu que a inflação voltou, que as usinas térmica de energia estão funcionando a pleno vapor, a economia anda a passo de tartaruga, os grandes problemas nacionais continuam intocados. É um discurso relativamente fácil, ainda mais quando alguém acena no fundo da platéia com a palavra mágica: indexação.
Foi por intermédio da indexação que o Brasil chegou a oitenta por cento ao mês de inflação. Quem não se protege com auxílio do sistema financeiro perde muito dinheiro. No segundo semestre deste ano vão se cruzar, no show midiático, o final do julgamento do mensalão. Os recursos serão apreciados, votados e pessoas serão condenadas. Ao lado disso, os candidatos vão fazer maior pressão contra o governo, que terá a obrigação de tomar duras medidas contra a inflação. Vale dizer, medidas impopulares.
Exumar o corpo de João Goulart não vai trazê-lo de volta. Jango bebia e fumava muito. Tinha problemas de saúde e puxava da perna. Era um farrista. Foi homem de sorte. Morreu riquíssimo com fama de esquerdista, o que nunca foi. Já se discutiu a morte de JK no Congresso várias vezes. Ninguém chegou a nenhuma conclusão a não ser de que o ex-presidente queria chegar ao Rio incógnito. Ele tinha razões do coração para querer chegar logo. Morreu em desastre de automóvel. O Brasil político revisita o seu passado e insiste em não perceber as profundas mudanças a um palmo do nariz. Por exemplo: a última moda de investidores é transferir empresas para o Paraguai. A energia é barata, os impostos são baixos e a exportação se faz pelo Brasil. Mas o lucro fica lá.
Artigo publicado hoje no Jornal de Brasília.
Especialistas consultados pelo Banco Central para elaborar a edição do Boletim Focus, hoje divulgado, elevaram as expectativas de inflação para 5,71% contra 5,70% da semana anterior. Para 2014, a projeção de inflação foi mantida em 5,71%. O mercado manteve a estimativa de que a Selic encerre este ano a 8,25%. Para o próximo encontro do Comitê de Política Monetária, em maio, os analistas mantiveram também a previsão de mais uma alta de 0,25 ponto percentual na Selic, para 7,75%.
Os economistas também mantiveram no Focus a projeção de expansão do Produto Interno Bruto neste ano em 3%. Para 2014, também houve manutenção em 3,50%. A perspectiva para a expansão da produção industrial neste ano foi reduzida a 2,83%, contra 2,86% anteriormente. Para 2014, a projeção foi mantida em crescimento de 3,75%.
Presidente Dilma Rousseff, 29 de abril de 2013 (Horário local de Campo Grande/MS: menos 1h em relação a Brasília/DF)
09h00 - Partida para Campo Grande/MS, Base Aérea de Brasília
09h30 - Chegada a Campo Grande/MS, Base Aérea de Campo Grande
10h00 - Cerimônia de entrega de 300 ônibus escolares a 78 municípios do Mato Grosso do Sul, no âmbito do Programa "Caminho da Escola", Hipódromo Aguiar Pereira de Souza
12h00 - Partida para Brasília, Base Aérea de Campo Grande
14h30 - Chegada a Brasília/DF, Base Aérea de Brasília
15h00 - Guido Mantega, Ministro da Fazenda, Palácio do Planalto
Agendas dos outros poderes:
http://www.stf.jus.br/portal/principal/principal.asp
Não existe escola que produza políticos. Eles surgem na vida comunitária, ascendem às posições mais elevadas guiados por instintos, projetos, sonhos ou desejos menos confessáveis. Nenhum deles aparece no palco junto com manual de instruções, nem recomendações sobre o que e o que não fazer. E as conseqüências, aquelas que sempre vêm depois, costumam criar dificuldades jamais imaginadas.
Outro dia, um advogado que está envolvido até o pescoço no processo do mensalão abriu o jogo comigo, num papo particular, depois de algumas garrafas de vinho. “Nós fizemos o que todos os governos anteriores fizeram. Só que eles tinham especialistas para conduzir o assunto. Nós fizemos tudo por intermédio do Delúbio”. Este pequeno detalhe explica o desespero e a inconformidade. O professor de matemática do interior goiano não tinha competência para conduzir um processo daquela magnitude.
A festa - Deu tudo errado. Vargas Llosa no seu delicioso “A Festa do Bode” conta a tentativa de assassinato de um presidente latino-americano. O grupo, de extrema esquerda, planeja tudo nos mínimos detalhes. Mas no momento do tiro fatal, que liquidaria o temido ditador, alguma coisa acontece. O autor do disparo tinha bebido muito na doce companhia de uma bela adolescente. O tirano demorou mais que o previsto na casa da amante. Quem levou o tiro foi o motorista que, afinal, perdeu a vida. Mas, bateu no poste e terminou por matar o benefactor da pátria. Houve um golpe no golpe e outra pessoa tomou posse. Os esquerdistas terminaram presos.
América Latina é assim. Não adianta tentar fugir da geografia nem brigar com ela. A falta de profissionalismo e de objetivos definidos é característica da região. O episódio do mensalão está dentro desta moldura. O então presidente Lula, numa famosa entrevista concedida em Paris, declarou candidamente que seu governo fez o que todos os anteriores fizeram. Não mentiu. Os personagens dessa história conseguiam boas somas em dinheiro na agência bancária existente dentro de prédio na área central de Brasília. Todos tinham que se identificar na portaria, na entrada e na saída. Não deixaram apenas rastros, permitiram que investigadores soubessem dia e hora em que engordaram suas respectivas contas bancárias.
O mal está feito. O Supremo Tribunal Federal julgou os indiciados, condenou 25 deles, entre os quais estão deputados federais. Estranhamente dois deles foram escolhidos pelo partido dominante para integrarem a poderosa Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, uma das mais importantes da instituição. E ali, por votação simbólica, na presença de apenas dez parlamentes no quorum de setenta, eles decidiram que as decisões constitucionais do Supremo Tribunal Federal devem ser submetidas ao Congresso Nacional. Ninguém lembrou a eles que a Constituição de 1937, a polaca, outorgada por Getúlio Vargas para tentar legitimar o Estado Novo, tinha a mesma preocupação. Era um governo fascista.
Os militares, quando tiveram todo o poder, limitaram-se a aposentar alguns ministros do Supremo, o que já foi uma violência. Mas não mexeram na competência legal e constitucional da Casa. Eles modificaram a composição do Congresso, que ficou fechado algumas semanas pelo pacote de abril, editado no governo Geisel, depois de mais cassações de parlamentares. Foi contra esse estado de coisas, a ditadura, que o Partido dos Trabalhadores começou a dar seus primeiros passos no ABC paulista. Fez greves e projetou seu líder, Lula, a uma dimensão nacional. Ele recorreu aos juristas para se proteger do arbítrio.
Mudar de posição - Agora procura-se o arbítrio para constranger a oposição e os juristas, que eram os antigos aliados. Os condenados sabem que são remotas as chances de reverter por intermédio de embargos de declaração ou de infringência os resultados das decisões dos ministros do STF no mensalão. Poderá haver uma ou outra correção, mas as decisões já foram tomadas. Também surgem acusações contra ministros que teriam se comprometido a votar de determinada maneira e não cumpriram o prometido. E ocorre essa tentativa de submeter a corte constitucional à vontade dos parlamentares. A tentativa é inócua por inconstitucional, mas é bom lembrar estamos na América Latina. Tudo pode acontecer.
Também é possível que as lideranças governistas consigam impedir que novos partidos desfrutem das verbas do fundo partidário e levem seus direitos de tempo na televisão para a nova legenda. É o tiro na candidatura Marina Silva, aquela que é capaz, segundo as atuais pesquisas, de levar a eleição para o segundo turno. Ainda faltam dezoito meses para as eleições municipais, mas a antecipação da campanha paralisa o governo e movimenta a oposição. O programa do PSB, levado ao ar em rede nacional nesta semana, fez forte crítica ao governo federal e colocou Eduardo Campos, governador de Pernambuco, na inequívoca condição de candidato.
Correm, portanto, duas ações em paralelo. Uma é o dos mensaleiros, interessados em tumultuar o processo que vai conduzi-los à prisão, aberta ou fechada. É a dúvida que remanesce. Prisão haverá. A outra é a antecipação da campanha. Além da candidatura óbvia da presidente Dilma Rousseff, Eduardo Campos e Aécio Neves estão admirando o Palácio do Planalto com olhares cobiçosos. E Marina Silva, montada nos seus vinte milhões de votos de 2010, é a ameaça a ser abatida antes do jogo começar. Mexer nas regras do jogo durante a partida não é atitude sábia. Quando a esperteza é muita, ela pode virar bicho e engolir o dono.
Artigo publicado hoje no Jornal de Brasília.
O controvertido projeto de lei que na pratica inibe a fusão de partidos políticos está sendo chamado pela oposição de pacote de abril do governo Dilma. O governo utilizou um projeto que estava em tramitação para tentar impedir que o partido de Marina Silva tenha tempo de televisão e a nova agremiação do deputado Roberto Freire também fique sem a verba do fundo partidário e acesso à televisão.
Na verdade, o objetivo é inibir a candidatura de Marina Silva, que teria, atualmente, cerca de 20% do eleitorado. Aécio estaria numa faixa de 18 % e Eduardo Campos algo em torno de dez por cento. Se todos forem candidatos, é possível que a eleição presidencial vá para o segundo turno. E nesta possibilidade, tudo poderia mudar. Daí o casuísmo.
Presidente Dilma Rousseff, 25 de abril de 2013
08h30 - Partida para Buenos Aires/Argentina, Base Aérea de Brasília
11h45 - Chegada a Buenos Aires, Aeroparque Jorge Newbery
12h30 - Primeira reunião de trabalho, Casa Rosada
20h00 - Jantar oferecido pela Presidenta da Nação Argentina em homenagem à Presidenta da República e comitiva, Casa Rosada
23h15 - Partida para Brasília/DF, Aeroparque Jorge Newbery - Buenos Aires/Argentina
Agendas dos outros poderes:
http://www.stf.jus.br/portal/principal/principal.asp

Perfil
André Gustavo Stumpf. Jornalista há mais de 40 anos, trabalhou em alguns dos principais jornais e revistas do País, reside em Brasília.
Recebeu vários prêmios e tem livros publicados. O mais recente deles, intitulado Da Minha Janela, foi lançado em 2010.
Histórico