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24
Abril de 2013
Brasil e Argentina

A presidente Dilma Rousseff tem muita paciência. Vai amanhã a Argentina para mais um encontro com Cristina Kirchner ( a velha, viúva do caolho, segundo José Mujica, presidente do Uruguai) para tentar obter alguma brecha para retornar a uma boa convivência com os hermanos.

Os argentinos querem do Brasil uma série de concessões. Mas não pretendem fazer muitas. Eles praticamente expulsaram a Vale de um projeto de minério no sul do país, coisa de cinco bilhões de dólares. Expropriaram bens da Petrobras e prejudicam a indústria nacional, que é substituída no mercado vizinho por produtos chineses. O Mercosul é hoje apenas uma intenção. É uma pena. Mas os argentinos complicaram tudo. É pouco provável que a presidente Dilma tenha sucesso na sua tentativa. Mas vale procurar o acordo.

Se não for possível, melhor procurar outro parceiro e partir para os mercados da Ásia.

 

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24
Abril de 2013
Agendas

Presidente Dilma Rousseff, 24 de abril de 2013

09h30 - Representantes do 19º Grito da Terra Brasil 2013, Palácio do Planalto

10h30 - Miriam Belchior, Ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão

15h00 - Edison Lobão, Ministro de Minas e Energia

17h00 - André Puccinelli, Governador de Mato Grosso do Sul

 

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23
Abril de 2013
Boston

Amigo meu, que mora nos arredores de Boston está com a pulga atrás da orelha. Ele lembra que os dois irmãos acusados do atentado na maratona naquela cidade gastaram dinheiro, comprando armas e comida. Um deles era casado e tinha filho. Mas ninguém fala de onde vem o dinheiro e qual era o trabalho deles. Eles eram sustentados por alguém. Essa pergunta está sem resposta.

 

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23
Abril de 2013
Agendas

Presidente Dilma Rousseff,23 de abril de 2013

11h00 - Abertura da Exposição " O olhar que ouve", de Carlinhos Brown, Palácio do Planalto - Térreo

15h00 - Renato Rabelo, Presidente Nacional do PCdoB

17h00 - José Eduardo Cardozo, Ministro da Justiça

 

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22
Abril de 2013
Projeções indicam PIB de 3%

Os especialistas consultados pelo Banco Central informaram hoje no Boletim Focus que a previsão para os juros no final do ano caiu de 8,5% ao ano para 8,25% ao ano.  A perspectiva para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,68% para 5,70%.

Apesar da alta na estimativa para a inflação, a aposta para o crescimento neste ano ficou estável em 3%. No entanto, a expectativa para a expansão da indústria caiu de 3% para 2,86%. Para o próximo ano a previsão para o ano que vem também diminuiu para o setor industrial passou de 3,8% para 3,75%.

 

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22
Abril de 2013
Agendas

Presidente Dilma Rousseff, 22 de abril de 2013

09h30 - Ideli Salvatti, Ministra-Chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Palácio do Planalto

10h00 - José Eduardo Cardozo, Ministro da Justiça

11h00 - José Roberto Maciel, Presidente do Sistema Brasileiro de Televisão - SBT

15h00 - Manoel Dias, Ministro do Trabalho e Emprego

17h00 - Guido Mantega, Ministro da Fazenda

17h40 - Representantes do Setor de Etanol

 

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21
Abril de 2013
O futuro

Meu pai fez parte de um grupo de sonhadores, na década cinquenta, século passado, que imaginavam poder viver em um país melhor, mais desenvolvido e organizado. Ele se transferiu para Brasília em 1958 e como advogado que era fez os primeiros contratos de aquisição de terrenos – chamados aqui de projeções – com objetivo de construir prédios destinados aos funcionários públicos. Além de estar presente na inauguração de Brasília, integrei a mudança da família para a capital em setembro de 1960.

O Brasil mudou tanto nas últimas décadas que é difícil explicar o que havia antes. O país era essencialmente agrário, a grande exportação era de café. Não existiam indústrias ou elas tinham dimensão muito pequena. Também não existiam estradas asfaltadas significativas, com exceção da Rio-São Paulo. O centro-oeste era distante e de difícil acesso. Goiânia constituía pequena cidade perdida no meio do cerrado. O Brasil do sul se comunicava com o do norte e do nordeste por intermédio da navegação de cabotagem.

Paciência - Telecomunicação era miragem. Ligar do Rio de Janeiro para Petrópolis exigia muita paciência. O usuário ligava para 101, pedia para realizar a conexão e esperava que a telefonista chamasse de volta para completar a ligação. Isso podia demorar algumas horas. Petrópolis fica a 80 quilômetros do Rio. As roupas eram simples. Quem podia, comprava no contrabando calças jeans. Não existiam as nacionais.

Os automóveis, poucos, eram importados. A maioria deles produzida antes da guerra, porque a produção de veículos civis demorou a ser retomada depois de encerrado o conflito. Rodavam no Brasil caminhões e carros velhos que não dispunham de peças de reposição. Tudo era improviso. O carburador de uma marca poderia ser adaptado em outro veículo. Freios também. E assim a vida caminhava, sem maiores expectativas. Os principais acontecimentos ainda frescos na memória popular eram a derrota para o Uruguai na Copa de 50 e o suicídio de Getúlio Vargas em agosto de 1954.

A política dependia muito do que acontecia no Rio. Greve de estudantes paralisava o sistema de bondes – os estudantes se deitavam nos trilhos - e provocavam problemas nacionais. As disputas entre os udenistas e os trabalhistas resultavam em crises. Ocorreram vários golpes ou tentativas de golpe no período. Aí apareceu Juscelino Kubitschek com suas ideias diferentes de um governo com metas estipuladas e a síntese delas que contemplava a mudança da capital para o planalto central do país. A proposta de construção de Brasília incendiou o debate político nacional.

Naturalmente, a maioria dos cariocas era contra o projeto. Os jornais massacravam JK dia após dia. E a maioria apostava que ele não conseguiria realizar suas metas, muito menos transferir a capital federal. Poucos acreditavam que brasileiros tivessem a capacidade de produzir automóveis. Os primeiros fuscas (e Kombis) sofreram com o descrédito dos consumidores. Com o tempo, o despeito em relação ao produto nacional foi vencido, mesmo porque, com exceção dos mais ricos, poucos tinham condição de adquirir carro zero quilômetro no Brasil.

Modernidade - Tudo aconteceu de maneira muito rápida. O Brasil ganhou a Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Revelou ao mundo dois gênios do futebol: Garrincha e Pelé. Tom, Vinicius e o pessoal da bossa nova surgiram no horizonte musical. O ambiente cultural foi oxigenado. Acabou a época do bolero. A Varig incorporou à sua frota os jatos Boeing 707, o que era o máximo da modernidade na época. A viagem até Nova Iorque ganhou um glamour fantástico. E passou a ser realizada em pouco mais de oito horas.

A Petrobras começou a dar sinais de que trabalhava de verdade. O FMI se manifestou contra os projetos de JK o que reforçou ainda mais sua posição interna. A transferência da capital passou a resumir tudo o que o governo estava realizando. Foi aberta a estrada do Rio para Belo Horizonte. E dali a Brasília. A outra até Belém foi a primeira ligação terrestre do sul o norte. Desde a descoberta do Brasil as regiões viviam quase como se fossem países diferentes. Ocorreu uma revolução dentro do país. Foram os cinquenta anos em cinco. Ser a favor da construção de Brasília era o desafio aos conservadores da época.

Vale a pena lembrar essa história quando Brasília completa 53 anos. A luta pela transferência da Capital já não empolga ninguém. A rápida e profunda mudança ocorrida em todo o centro-oeste só impressiona quem não conhece a região. A pequena Goiânia da época hoje é uma cidade grande e moderna. Assim como os dois Matos Grosso e seus intermináveis campos de soja. Até o Acre e Rondônia se integraram à economia nacional. Brasília abriu os caminhos para o oeste e os brasileiros descobriram a potencialidade de seu país.

Brasília significa tudo isso a um só tempo. JK descobriu em Oscar Niemeyer e Lúcio Costa gênios da arquitetura e do urbanismo. E a nova cidade também se projetou como símbolo que havia de mais arrojado na época. No entanto, 53 anos depois caminha para ser apenas mais uma cidade brasileira. Possui os vícios e as virtudes das grandes capitais do país. A vanguarda hoje, na falta de melhores opções, se restringe ao comportamento do indivíduo. A discussão política foi dissolvida entre mais de trinta partidos que se preocupam em ocupar algum espaço e vender seu tempo na televisão. O governante trabalha apenas para compor interesses. Os objetivos anunciados não são atingidos e fica tudo por isso mesmo. O país do futuro descobriu o futuro e nele se acomodou.

Artigo publicado hoje no Jornal de Brasília.

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17
Abril de 2013
Elevação de juros

A pressão nada diplomática que a presidente Dilma Rousseff fez nos últimos dias surtiu efeito. O Conselho de Política Monetária do Banco Central elevou em apenas 0,25% a taxa básica de juros. Agora a Selic é 7,5%, após decisão anunciada no início da noite.

A última vez que os diretores do Banco Central aumentaram os juros foi em julho de 2011. A decisão foi tomada depois de a autoridade monetária ser alvo de diversas críticas por se submeter às interferências políticas do Palácio do Planalto e do Ministério da Fazenda na política de controle da inflação.

É uma elevação tímida. Quase ritual. Apenas destinada a demonstrar que o Banco Central tem a faculdade e a possibilidade de elevar juros. Não modificará em nada a trajetória da inflação no Brasil.

 

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17
Abril de 2013
Arruda condenado

O ex-Governador do DF, José Roberto Arruda, e o ex-Secretário de Obras do DF, Márcio Edvandro Rocha Machado, foram condenados por dispensa indevida de licitação, na contratação da empresa Mendes Júnior Trading Engenharia para reformar o Ginásio Nilson Nelson, em 2008. O crime está previsto no artigo 89 da Lei 8.666/93. A sentença foi proferida pelo juiz da 4ª Vara Criminal de Brasília na ação penal ajuizada pelo MPDFT. 

Arruda foi condenado a 5 anos e quatro meses de detenção, em regime semi-aberto, mais pagamento de multa no valor 4% do valor do contrato administrativo n° 120/2008 de R$ 9.998.896,70, o que corresponde a cerca de R$ 400 mil. Márcio Machado foi condenado a 4 anos e oito meses de detenção, em regime semi-aberto, e pagamento de multa de 3% do valor do contrato, o correspondente a cerca de R$ 300 mil.

O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda vive em São Paulo. Sua mulher, aliás, é uma das apresentadoras da edição noturna de um jornal da Rede Bandeirantes de Televisão.

 

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17
Abril de 2013
Histórias de violência

A história da Venezuela é a história do petróleo daquele país. Depois que foram descobertas as enormes reservas do mineral nas áreas próximas a Maracaibo, o país passou a ser governado por ditadores que se compunham com as grandes empresas de petróleo. Ao longo do século vinte, os venezuelanos viram se suceder no poder caudilhos com enormes promessas populistas e nenhuma efetividade. O país é rico, possui a maior reserva de petróleo do mundo, possui um cliente cativo, os Estados Unidos, mas o povo é pobre.

Nicolas Maduro venceu as eleições no domingo passado por diferença pouco superior a 1%. Sem falar na possibilidade de desvio de votos, o resultado foi uma clara derrota para o sucessor de Chaves. O chavismo já está em crise na procura de resposta para tão discreta atuação no pleito. Houve ocorreu o erro, ou os erros. Henrique Capriles, candidato de oposição, não dá trégua e organiza a resistência em todo o país frente a um governo que chama de ilegítimo. A Venezuela vai mergulhar de novo em um período de violência política. É sua tradição. Até que surja um novo líder populista.

 

 

 

 

 

 

 



 

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17
Abril de 2013
agendas

 

Presidente Dilma Rousseff, 17 de abril de 2013

10h30 - Wellington Moreira Franco, Ministro-Chefe da Secretaria de Aviação Civil, Palácio do Planalto

15h00 - Aguinaldo Ribeiro, Ministro das Cidades

16h30 - Marcelo Crivella, Ministro da Pesca e Aquicultura

17h30 - Ariovaldo Rocha, Presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (SINAVAL)

 

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16
Abril de 2013
Novos partidos

Os deputados deverão aprovar hoje à noite – se a vontade do governo federal prevalecer – projeto que impede a criação de novos partidos. A decisão atinge em cheio o propósito de Marina Silva que pretende criar um partido para disputar a eleição no próximo ano. A possibilidade de fusão de legendas já existentes não é atingida pela decisão. O PPS e o PMN estudam medidas para se fundir e tentar disputar a presidência da República.

 

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16
Abril de 2013
Agendas

Presidente Dilma Rousseff, 16 de abril de 2013

09h00 - Cerimônia de lançamento da retomada da produção nacional de insulina humana no Brasil, Teatro Sesiminas - Rua Padre Marinho, 60 - Santa Efigênia - Belo
 Horizonte/MG

11h15 - Chegada ao Residencial Alterosa Avenida A, s/n - Bairro Alterosa – Ribeirão das Neves/MG

11h30 - Cerimônia de entrega de 1.640 unidades do Residencial  Alterosa, no âmbito do Programa Minha Casa Minha Vida; entrega de ônibus escolares, no âmbito do Programa Caminho da Escola; e entrega de máquinas retroescavadeiras e motoniveladoras a prefeitos do estado, Avenida A, s/n - Bairro Alterosa - Ribeirão das Neves/MG

14h00 - Partida para Brasília/DF, Aeroporto de Pampulha – Belo Horizonte/MG

15h00 - Chegada a Brasília/DF, Base Aérea de Brasília/DF

 

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15
Abril de 2013
Bolsas em queda

A desaceleração do Produto Interno Bruto da China no primeiro trimestre deste ano levou hoje pessimismo ao mercado financeiro. As Bolsas europeias fecharam em queda e as americanas também se desvalorizam. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), acompanha esse movimento e perdeu o patamar dos 54 mil pontos. O índice está em baixa e no meio da tarde se desvalorizava 2,65% aos 53.508 pontos, com  volume negociado de R$ 6,7 bilhões.

No mercado doméstico, os investidores analisam o Boletim Focus. O documento mostra que o mercado espera manutenção da Selic, a taxa básica de juro, na reunião desta terça e quarta-feiras. Já para a reunião de maio, a expectativa é de uma alta de 0,5 ponto percentual na Selic, que passaria dos atuais 7,25% para 7,75% ao ano. Para a inflação medida pelo IPCA houve um recuo das expectativas para este ano: de 5,70% para 5,68%. Para 2014, a previsão é de IPCA de 5,70%.

 

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15
Abril de 2013
Agendas

Presidente Dilma Rousseff, 15 de abril de 2013

15h00 - Gleisi Hoffmann, Ministra-Chefe da Casa Civil, Palácio do Planalto

15h30 - José Eduardo Cardozo, Ministro da Justiça

 

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14
Abril de 2013
Inflação

              Estava em Roma, nos anos oitenta. Depois de alugar um apartamento, saí para fazer as compras de casa. Decisão errada. Levei uma lista e cumpri todo o ritual brasileiro. Adquiri produtos para quase todo o mês. Quando cheguei ao caixa, o gerente me esperava com os olhos arregalados.

         - Por que você está comprando tanta coisa? Vai haver guerra?

         Foi uma dificuldade explicar que no meu país, que tinha inflação elevadíssima, naquela época na casa dos 50% ao mês, as pessoas faziam compras de mês. Era necessário adquirir os produtos necessários imediatamente após receber o salário. No dia seguinte tudo era mais caro. O gerente me olhou com cara de que me achava um maluco por viver num país dessa qualidade, disse alguns palavrões e me viu sair cheio de pacotes. Fui a atração do dia. Todo mundo me olhando.

         No mundo civilizado, com preços estáveis, as pessoas fazem compras todos os dias ou de semana em semana. Se alguém vai receber visitas adquire exatamente o necessário para a sua festa. Nada de exageros. O processo inflacionário brasileiro, que foi o mais longo já verificado no ocidente, provocou uma série de distorções curiosas: o Brasil tem o melhor sistema de tecnologia bancária porque não podia haver atrasos. Se alguém fizesse uma remessa de dinheiro para outra praça, ela teria que ser recebida na mesma hora. Caso contrário, a inflação comeria parte do que foi enviado.

         Freezer - Curiosamente, hoje os bancos trabalham no sentido contrário. Levam dias para compensar cheques. Na Europa e nos Estados Unidos é assim. Não há muita pressa porque o dinheiro tem valor. Não perde nada no trânsito entre uma cidade e outra. Quem tem hoje em torno de trinta anos não se lembra das dificuldades da hiperinflação, que no final do governo Sarney atingiu a incrível marca de 100% ao mês. Outra característica é que o Brasil é um dos países onde mais se vendeu o aparelho chamado freezer, equipamento de bar ou restaurante. Aqui foi adaptado para uso doméstico por causa da inflação. Era necessário comprar muito e estocar. 

         Brincar com a inflação não é razoável. Os mais jovens não se lembram daquela maluquice de indexações com letras do tesouro, gatilhos de aumentos salariais automáticos, cotações de dólar completamente artificiais e a inexistência de crédito de curto e médio prazo. Longo prazo nem pensar. Ninguém poderia vender um bem em 12 prestações porque no final o valor era muito baixo. Nem de longe remunerava o capital empregado para adquirir o produto. A situação atual é diferente dos anos oitenta. Muito melhor. Mas a memória inflacionária paira sobre os brasileiros.

         Congelamento - Foi muito difícil desindexar a economia brasileira. O próprio governo, aliás, colaborou para tornar mais difícil esquecer a inflação passada. A Receita Federal cobra do contribuinte juros e multas. Faz indexação a um índice de inflação. O governo atrelou o salário mínimo à elevação do produto interno bruto. E assim começou a caminhar no sentido contrário do que foi estabelecido no Plano Real. É difícil fugir dessa armadilha.  Se a inflação subir mais, as diversas categorias profissionais vão começar a reivindicar a reposição salarial. É o que acontece na Argentina agora. Lá, a presidente Kirchner apelou para o recurso extremo de congelar preços. Não funciona. Os produtos somem das prateleiras dos supermercados e quando a elas retornam chegam com os novos preços.

         A economia brasileira colocou-se no pior dos mundos. Crescimento baixo e inflação elevada. A carestia engole eventuais vantagens obtidas por grupos ou classes e encobre todos os problemas da sociedade. O fenômeno da elevação preventiva de preços passa a ser o fato mais importante. Ganha proeminência e destaca sobre os demais. Costuma, também, destruir reputações, modificar tendências políticas e interferir em eleições.  O Brasil obteve, no ano passado, 0,9% de aumento de seu produto interno bruto. Os vizinhos tiveram números melhores. Na verdade, os brasileiros só conseguiram superar o Paraguai, que está em recessão. Retomar o crescimento é fundamental.

         Mas a indústria sofreu nova queda. E o comércio varejista recuou no mês de fevereiro, já como conseqüência da inflação. Menos indústria, menos comércio, menores vendas e menor produção apontam para menor mercado de trabalho. Até o momento, o país vive a situação de pleno emprego, o que, aliás, explica em parte o aumento dos salários e dos preços das atividades no setor de serviços. A taxa de juros, orgulho da atual administração, baixou para 7,25%. Foi festejada em bonitos anúncios na televisão, conduzidos por artistas de renome nacional. Mas a festa está perto de terminar. Ao Banco Central restam poucas alternativas. A mais fácil delas é elevar a taxa básica, chamada de Selic.

         Os economistas são unânimes que essa é a melhor solução. Ela, contudo, vai na contramão daquilo que a presidente Dilma afirmou na África do Sul. Ela vai perder um formidável argumento de sua já lançada campanha sucessória. Os juros vão subir. Os financiamentos deverão se tornar mais caros. E não será surpresa se ocorrerem restrições nos mecanismos de créditos. Faz parte da receita dificultar a venda à prazo. A inflação sossega e o governo poderá, quando possível, relaxar os controles e retomar a distribuição dos sacos de bondade nas vésperas de eleições. Candidaturas aparecem.

 A questão é se vai haver segundo turno na eleição presidencial. Os números da economia vão ditar os rumos da campanha. Inflação alta significa candidato em baixa.

Artigo publicado hoje no Jornal de Brasília.

 

 

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10
Abril de 2013
Inflação nas alturas

Aconteceu o que todos temiam. A inflação medida pelo IBGE ultrapassou o texto da meta fixada pelo Banco Central. Nos últimos doze meses chegou a 6,59%. O teto indicado pelo BC é de 6,5%. A presidente Dilma se reuniu ontem com economistas de fora do governo (Delfim, Beluzzo e Nakano, juntos com Mantega) para colher informações e tentar entender para onde caminhar.

O fato é que o governo permitiu um pouco de inflação para privilegiar o consumo e o emprego. Mas a inflação não respeitou o governo e foi além do previsto. Os alimentos subiram mais que o dobro (13,48%) e representaram o principal impacto: 3,30 ponto percentual do total. Já o INPC, que mede a inflação para famílias com renda entre um e cinco salários mínimos, subiu 0,60% em março, acelerando frente a fevereiro (0,52%). Em 12 meses, acumula 7,22%.

Ou seja, o pessoal de menor renda enfrentou inflação maior. Problemas de redução da oferta, como chuvas prolongadas, seca no nordeste, frete caro e demanda aquecida impactaram o preço dos alimentos no país. Este resultado abre a temporada de elevação de juros. É o remédio para combater a inflação. Tudo o que a presidente não queria fazer como deixou claro nas suas declarações na África do Sul. Mas havia muita gente perdendo dinheiro com juro baixo.

Em março, o IPCA avançou 0,47%, desaceleração frente a fevereiro, quando fora de 0,60%, fruto em grande parte da desaceleração dos preços de mensalidades escolares. A taxa de março é o menor resultado desde agosto de 2012, quando a taxa tinha ficado em 0,41%. Nos três primeiros meses do ano, a inflação registra alta de 1,94%.

O governo promoveu várias desonerações de impostos. Mas elas não chegaram ao bolso do consumidor. A redução de impostos da cesta básica não foi sentida até agora pelo trabalhador. Itens que fazem parte da cesta e já vinham de uma trajetória de queda continuaram a registrar deflação, caso do arroz, o açúcar, as carnes e o óleo de soja. Entre os itens de higiene pessoal, a pasta de dente foi o único contemplado com a desoneração que passou de um avanço de 1,56% para - 0,41%. O papel higiênico acelerou ao passar de 0,89% para 1,92% e o sabonete de 0,15% para 0,48%. O dragão voltou.

 

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10
Abril de 2013
Agendas

Presidente Dilma Rousseff, 10 de abril de 2013

15h00 - José Roberto Ermírio de Moraes, Presidente do Conselho de Administração da Votorantim Participações, Palácio do Planalto

16h00 - Antônio Andrade, Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

17h30 - César Borges, Ministro dos Transportes

18h30 - José Eduardo Cardozo, Ministro da Justiça

 

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08
Abril de 2013
Grande líder

Morreu Margaret Thatcher que durante onze anos exerceu o cargo de primeiro-ministro da Inglaterra. Ela foi a primeira e até agora a única mulher a exercer o cargo. Foi duríssima na relação com os sindicatos, abriu o país aos investidores, liquidou com as conquistas sociais que vinham da Segunda Guerra e fez a guerra contra Argentina.

Foi amiga de Ronald Reagan e de Gorbachev. Também manteve uma linha de comunicação com Pinochet como agradecimento pelo apoio do Chile na guerra contra a Argentina. Ela, naturalmente, é odiada na Argentina. É uma espécie de ícone para os conservadores em todo o mundo. E um projeto de poder a ser evitado segundo as esquerdas do mundo inteiro. Maryl Streep ganhou o terceiro Oscar de sua carreira ao interpretar Dama de Ferro no Cinema.

 

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08
Abril de 2013
PIB em queda

O Boletim Focus hoje divulgado pelo Banco Central estima que o crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro deverá crescer 3% neste ano. Semana passada os cultores haviam previsto 3,01%. Os consultores consultados mostraram a expectativa de que o IPCA encerrará este ano a 5,70%, ante 5,71% na pesquisa anterior. Para 2014, por sua vez, houve elevação da perspectiva pela quarta semana seguida, a 5,70%, contra 5,68% anteriormente.

Indicadores recentes demonstram dificuldades da atividade econômica de mostrar recuperação no início deste ano, ao mesmo tempo em que a inflação mostra resistência. Os especialistas mantiveram a perspectiva de que a Selic encerrará este ano a 8,50%, ante os atuais 7,25%. Para 2014, também foi mantida a projeção de taxa de juros a 8,50%.

Em fevereiro, a produção industrial recuou 2,5%, pior resultado mensal em quatro anos. No Focus, a perspectiva para a expansão da produção industrial neste ano foi reduzida a 3,00%, interior aos 3,12% na semana anterior. A expectativa para o câmbio no final deste ano foi mantida em R$ 2,00.

 




 

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08
Abril de 2013
Agendas

 

Presidente Dilma Rousseff, 08 de abril de 2013

09h30 - Giles Azevedo, Chefe do Gabinete Pessoal da Presidenta da República, Palácio do Planalto

10h00 - Luis Inácio Adams, Advogado-Geral da União

12h00 - Guido Mantega, Ministro da Fazenda, Palácio da Alvorada

17h00 - Michel Temer, Vice-Presidente da República. Palácio do Planalto

 

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07
Abril de 2013
Surpresas

                  Neste tempo de conversões e reconversões inesperadas é possível que haja clima e disposição para que o projeto de reforma política seja, afinal, votado no plenário da Câmara dos Deputados na próxima semana. O mundo muda com incrível velocidade. O garotão que tomou o poder na Coréia do Norte – aquele mesmo que visitou a Disneylandia de Tóquio utilizando passaporte brasileiro – ameaça com hecatombe nuclear. Colocou seus mísseis balísticos em posição batalha. É a cara feia.

         Ele precisa ser respeitado pelos militares de seu país e percebido pelo povo como um verdadeiro líder. O caminho é um só. Ser o mais radical possível para ser contido, no momento certo, pelos liberais de parte a parte. Tancredo Neves agia assim. Quando precisava redigir um documento político carregava nos adjetivos e deixava que seus colegas transformassem o texto em algo menos agressivo. É uma tática antiga. Às vezes, não dá certo e o mundo que vive um período razoavelmente longo de paz, intercalado por conflitos regionais, poderá experimentar a temida escalada nuclear. Se o bom senso não indicar a hora de parar.

         Conversões - As conversões são de todos os tipos. O deputado Paulo Maluf circulou com desembaraço pelo Palácio do Planalto nesta semana na ocasião da posse do novo ministro dos Transportes. Essa é uma cena imprevisível. Ninguém poderia se antecipar ao fato. Nem os malufistas. Diante desta fotografia, a admissão pública da cantora Daniela Mercury de que tem uma esposa é algo trivial. Não ocasiona nenhuma comoção local nem nacional. Tudo muda. Até o Papa, que é argentino, desfila em Roma com a camisa do seu time de futebol, o San Lorenzo de Almagro.

         As questões da economia são muito complexas. Mais do que imagina a vã filosofia. Os números brasileiros são preocupantes. A balança comercial que apresentou superávit de US$ 30 bilhões no ano passado em números redondos poderá chegar, em 2013, quando muito, a vinte bilhões, em cálculo bem otimista. O desemprego é baixo, é verdade, mas a inflação é alta, os investimentos são escassos e as estimativas para o produto interno bruto do ano não cessam de retroceder. O governo desonera impostos, facilita financiamentos, mas o empresário permanece recuado. Não arrisca.

Esse é o retrato curioso do país, no momento ainda mais curioso de aclimatação das diversas camadas que compõem a sociedade nacional. Empregados domésticos acabaram de ser incluído como cidadãs, por intermédio de uma legislação que ainda merecerá correções complementares. Mas o passo foi dado. A política de cotas nas universidades consolida algumas discriminações que, ainda, não foram alvo da devida discussão. Aluno com nota maior perde a vaga para estudante com avaliação inferior por causa da cor da pele. É complicado de entender, mas funciona dessa maneira.  

Este longo preâmbulo é para apontar para o fato de que o plenário da Câmara dos Deputados deverá examinar na próxima semana a proposta de reforma política. O relator Henrique Fontana (PT-RS) pretende acabar com o financiamento de empresas privadas, que seriam substituídas por um fundo criado exclusivamente para prover campanhas eleitorais. O único ponto de consenso é a mudança das datas de posse de prefeitos, governadores e presidente da República para, respectivamente, 5, 10 e 15 de janeiro. Não há na proposta abertura de prazo para troca de partidos – a chamada janela – antes da eleição. É uma boa maneira de comprar consciências e votos.

Financiamento - A proposta contem cinco temas básicos: implantação do financiamento público exclusivo de campanha, fim das coligações partidárias nas eleições proporcionais (vereadores e deputados), coincidência temporal das eleições, ampliação da participação da sociedade na apresentação de projetos de lei de iniciativa popular. O relator pretende votar os itens propostos. Ele adverte que quem ficar contra o conjunto de projetos estará favorecendo o atual sistema eleitoral brasileiro que, além de anacrônico, é completamente injusto.

O eleitor vota em determinado candidato que, depois de eleito, muda de partido e modifica sua posição partidária. Sai da oposição e vai para a situação. Ou vice-versa. Se a proposta for aprovada, as eleições passarão a ser realizadas no Brasil apenas uma vez a cada quatro anos. Para possibilitar a coincidência, os mandatos dos prefeitos e vereadores eleitos em 2016 terão mais dois anos. Menos eleições, e todas elas pagas pelo poder público, farão, segundo o relator, com que o sistema seja mais justo.

O deputado gaúcho sabe que o sistema é capenga. Mas a reforma proposta é um avanço, ainda que tímido, diante das deformidades do regime partidário brasileiro. É um começo de caminho. O problema é que diversas comissões foram constituídas com objetivo de mudar o sistema político-partidário nacional. Todos chegaram ao plenário e lá todos conquistaram o esquecimento. Políticos não pretendem modificar a regra do jogo. O governo federal receia perder sua capacidade de atrair dissidentes.

A história do Brasil contempla os partidos políticos regionais. Eles foram importantes no início da República. E não há tradição de defesa de ideologias ou sistemas específicos, com exceção dos comunistas, socialistas e outros partidos de esquerda. Depois da redemocratização, as legendas se misturaram. É difícil hoje enxergar onde está à esquerda e em que quadrante se localiza a direita. Mas, entre as muitas surpresas deste 2013 talvez a aprovação, no todo ou em parte, da reforma política seja possível.

Artigo publicado hoje no Jornal de Brasília.

 

 

 

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02
Abril de 2013
Nordeste

A presidente Dilma Rousseff está cumprindo à risca sua agenda eleitoral. Ela hoje está em Fortaleza, Ceará, para distribuir tratores e dirigir a palavra a todos quanto queiram ouvi-la. Ela está perto de concluir sua reforma ministerial que deverá definir o time que irá até o final do presente mandato. O negócio agora é preparar o terreno para ganhar a eleição e garantir o segundo mandato.

É fundamental ganhar no nordeste, grande colégio eleitoral brasileiro que garantiu a eleição e a reeleição do presidente Lula.

 

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02
Abril de 2013
Agendas

Presidente Dilma Rousseff, 02 de abril de 2013

07h00 - Partida para Fortaleza/CE, Base Aérea de Brasília/DF

09h30 - Chegada a Fortaleza, Base Aérea de Fortaleza

10h00 - 17ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), Centro de Eventos do Ceará - Av. Washington Soares, nº 999 - bairro Edson Queiroz - Fortaleza/CE

15h30 - Cerimônia de entrega de máquinas retroescavadeiras e motoniveladoras, Centro de Eventos do Ceará - Av. Washington Soares, nº 999 - bairro Edson Queiroz - Fortaleza/CE

17h30 - Cerimônia de inauguração da Escola Estadual de Educação Profissional Jaime de Oliveira e de entrega de 14 ônibus escolares no âmbito do Programa Caminho da Escola, Av. Rogaciano Leite, s/nº - bairro Engenheiro Luciano Cavalcante - Fortaleza/CE

19h15 - Partida para Brasília, Base Aérea de Fortaleza

21h45 - Chegada a Brasília, Base Aérea de Brasília

 

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01
Abril de 2013
Chávez

Não sei se o distinto leitor percebeu: o corpo do falecido Hugo Chávez desapareceu. As autoridades do governo da Venezuela disseram, em primeiro lugar, que ele seria embalsamado e ficaria exposto ao público, como Lênin, em Moscou. Especialistas vieram a público para dizer que não havia mais possibilidade de realizar essa operação, porque o corpo já entrara em decomposição.

O caixão de Chávez desfilou em público, porém fechado. Depois das solenidades foi encaminhado a uma escola militar e não mais se falou sobre o assunto. Enfim, não houve enterro. E agora não se fala mais para o assunto. Resta a dúvida: quando, de fato, Chávez morreu? Em Cuba ou na Venezuela? E onde está enterrado?

 

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01
Abril de 2013
PIB estável

Especialistas consultados pelo Banco Central, segundo o Boletim Focus hoje divulgado, repetiram a estimativa de inflação para o ano na faixa de 5,71%. A perspectiva para a expansão da economia brasileira neste ano teve pequena elevação: passou para 3,01% contra 3% da pesquisa anterior. Para 2014, os consultores mantiveram a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto em 3,5%.

Após três altas seguidas, o mercado manteve a perspectiva de Selic a 8,5% no final de 2013. A pressão inflacionária tem sido um forte motivo de preocupação, com a taxa em 12 meses se aproximando do teto da meta do governo, de 6,5% pelo IPCA. O cenário inflacionário levou analistas a apostarem que o ciclo de aperto monetário pode ser iniciado na reunião de maio do Comitê de Política Monetária do BC. Para a reunião de abril, a perspectiva no Focus ainda é de manutenção nos atuais 7,25%.

 




 

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01
Abril de 2013
Agendas

Presidente Dilma Rousseff, 01 de abril de 2013

10h00 - Fernando Bezerra, Ministro da Integração Nacional, Palácio do Planalto

15h00 - Guido Mantega, Ministro da Fazenda

 

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31
Março de 2013
O homem errado

Democracia é o pior dos regimes, com exceção de todos os outros. A definição de Winston Churchill se aplica por inteiro na controvertida situação que terminou por levar o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) à posição de presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Ele é pastor evangélico, criou sua própria seita e possui muitos seguidores, que, aliás, lhe renderam 212 mil votos na última eleição. Acontece que ele produziu declarações contra homossexuais e negros.

Pediu desculpas depois, mas ficou a marca: homofóbico e racista. As tentativas de reunião da Comissão de Direitos Humanos transformaram-se em batalhas campais. A Polícia Legislativa teve que interferir, prender gente e esvaziar as salas onde os integrantes da CDH se reúnem para tratar dos assuntos pertinentes. Enfim, até agora, ocorreram mais conflitos que troca de ideias ou decisões. O histórico do presidente não o autoriza a conduzir os trabalhos em clima de paz. Ao contrário, é guerra.

Acaso - É claro que o pastor Feliciano é a pessoa errada na posição errada. Mas ele não chegou lá por acaso. A composição das comissões na Câmara dos Deputados é realizada por intermédio de acordo entre os líderes. A maior bancada tem o privilégio de escolher as melhores posições. E assim sucessivamente até que a possibilidade de escolha alcance um pequeno partido, como é o caso do PSC. Na verdade, os grandes partidos ignoraram a Comissão de Direitos Humanos e quando abriram o olho, a definição já tinha ocorrido. E a bancada do PSC agiu de maneira legítima ao indicar um de seus integrantes para o cargo oferecido.

Marco Feliciano chegou à presidente da Comissão dos Direitos Humanos porque os demais partidos concordaram. Agora, ele está no pleno exercício de suas funções, onde desembarcou de maneira legítima, porque os grandes partidos foram omissos ou descuidados. Negligentes. E só final da semana os líderes perceberam que ele só poderá sair daquela presidência se renunciar ou manifestar desejo de deixar o cargo. Ou seja, não há recurso regimental para tirá-lo dali.

Os militantes das minorias não perdoam o deputado. Eles têm suas razões. Querem alargar os direitos daqueles que são massacrados pela maioria. Mas os pastores evangélicos, que normalmente possuem uma visão conservadora da sociedade, estão no extremo oposto. Pretendem ignorar essas minorias e tendem até a não reconhecer sua existência. Então, não há convivência possível. Haja gritaria, ameaças de parte a parte, ação de policiais. A confusão persiste sem a menor perspectiva de solução. O deputado já disse que não vai renunciar. Pretende permanecer no seu posto até o último dia de seu mandato.

O episódio demonstra que a democracia precisa ser exercida em toda a sua extensão, dia após dia. Na Alemanha, dos anos trinta, a sociedade estava acossada pela humilhação da inflação galopante e pela proliferação de partidos e grupos que pretendiam impor projetos distintos e confrontantes entre si. As muitas divisões entre os políticos permitiram que um antigo cabo do exército, nascido na Áustria, fosse escolhido pelos eleitores. Hitler foi eleito é bom lembrar. Depois, deu um golpe de estado, assumiu todos os poderes e lentamente montou a sua ditadura. Os partidos políticos assistiram impotentes o florescer do nazismo.

A ascensão de Hitler ocorreu dentro dos cânones democráticos. Na Inglaterra ocorreu o contrário. Havia um partido nazista funcionando em plena liberdade. Churchill sabia disso. Sabia também que muita gente importante gostaria que ele fizesse a paz com os nazistas de Berlim. Ele resistiu. Pronunciou seus famosos discursos, não ouviu sugestões do Rei Eduardo VIII – aquele que abdicou do trono para casar com uma norte-americana divorciada. Sua Majestade tinha especial simpatia pelo líder alemão. Churchill teve muito trabalho, mas manteve a democracia inglesa intacta, fez a guerra contra o nazismo e venceu.

Projetos - Os pastores evangélicos têm seu projeto de poder. À sua maneira. Eles atuam em áreas carentes, prometem o céu e cobram o dízimo. Alguns deles já frequentam as listas dos grandes milionários do continente. E o crescimento de fiéis é impressionante. Há quatro décadas o IBGE informou que apenas 2% dos brasileiros informavam ser evangélicos. No último censo, este número pulou para 21%. A expansão é tão forte que mexeu até na Igreja Católica. Surgiu um Papa sul-americano, jesuíta, que conclama seus seguidores a chegar perto da periferia das grandes cidades e retomar a atividade evangelizadora. Todos estes movimentos repercutem na política partidária.

As minorias querem ser ouvidas no Congresso Nacional. E os evangélicos também pretendem ter espaço no parlamento, uma vez que também se comportam como minorias diante da fortíssima presença da Igreja Católica no Brasil. O confronto entre opiniões opostas e inconciliáveis serve para demonstrar que fazer manifestações públicas, gritar slogans é pouco diante da necessidade de se fazer representar na política brasileira. Aliás, a época das grandes passeatas aparentemente já passou. Foi um instrumento útil para pressionar os militares, constranger parlamentares no momento do impeachment de um presidente. Passou. Ninguém ganha no grito. Há um enorme bloco heterogêneo que apoia a presidente da República. Os evangélicos fazem parte deste grupo. A oposição é, ou está desorganizada. O confronto entre minorias é novidade. É recente a percepção destes movimentos de se fazer representar na sociedade brasileira. Resta o confronto.

Artigo publicado hoje no Jornal de Brasília.

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27
Março de 2013
Inflação

A presidente Dilma Rousseff disse em Durham, na África do Sul, que não concorda em sacrificar o crescimento econômico em nome de controlar a inflação. Ela lembrou que no ano passado o crescimento foi baixo, mas a inflação subiu. Ela garante que a inflação está sob controle e afirma que o governo está preparado para tomar decisões ainda mais efetivas para reduzir os índices de preços.  

 

A inflação está perto do teto da meta fixada pelo Banco Central, que é 6,5%.

 

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27
Março de 2013
Agendas

Presidente Dilma Rousseff,27 de março de 2013 (Horário local na África do Sul: mais 5h em relação a Brasília)

07h30 - Café da manhã em homenagem aos chefes de Estado e de Governo e empresários dos BRICS, oferecido pelo Presidente da República da África do Sul, Jacob Zuma, Centro Internacional de Convenções

09h50 - Fotografia oficial, Centro Internacional de Convenções

10h00 - Sessões de trabalho, Centro Internacional de Convenções

10h10 - Sessão I - Promoção do Crescimento e Governança Global, Centro Internacional de Convenções

10h50 - Sessão II - Parcerias para o Desenvolvimento, Integração e Industrialização, Centro Internacional de Convenções

11h35 - Sessão Plenária - "BRICS e África: Parceria para o Desenvolvimento, Integração e Industrialização", Centro Internacional de Convenções

12h25 - Cerimônia de assinatura de atos, Centro Internacional de Convenções

12h35 - Declaração à imprensa, Centro Internacional de Convenções

13h10 - Almoço oferecido pelo Presidente da República da África do Sul, Jacob Zuma, aos Chefes de Estado e de Governo dos BRICS, Centro Internacional de Convenções

15h30 - Início do Retiro dos Chefes de Estado e de Governo dos BRICS e da África, Hotel Fairmont Zimbali Resort

15h55 - Fórum de Diálogo BRICS/África, Hotel Fairmont Zimbali Resort

17h25 - Fotografia oficial, Hotel Fairmont Zimbali Resort

17h30 - Coquetel oferecido pelo Presidente da República da África do Sul, Jacob Zuma, aos Chefes de Estado e de Governo dos BRICS e convidados especiais,  Hotel Fairmont Zimbali Resort

19h00 - Encontro com o Presidente da China, Xi Jinping, Hotel Fairmont Zimbali Lodge

21h00 - Partida para Brasília/DF, Aeroporto Internacional King Shaka - Durban / África do Sul

 

Agendas dos outros poderes:

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Perfil


André Gustavo Stumpf. Jornalista há mais de 40 anos, trabalhou em alguns dos principais jornais e revistas do País, reside em Brasília.

 

Recebeu vários prêmios e tem livros publicados. O mais recente deles, intitulado Da Minha Janela, foi lançado em 2010.

Histórico


2013
2012
2011
2010
2009
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