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30
Setembro de 2012
Horizonte

Minha saudosa mãe sempre me recomendava comprar dólares. Ela dizia que durante a guerra três coisas tinham valor: chocolate, ouro e a moeda norte-americana. Se o dinheiro dos americanos deixar de valer seria indicativo de que o mundo estaria por acabar ou chegava perigosamente perto disso. A questão de hoje é que o dólar já não é o mesmo e o mundo ainda não acabou. Mas está mudando de maneira tão veloz que os principais analistas não conseguem explicar o que passa diante de seus olhos.

O Tesouro norte-americano está imprimindo dinheiro às escâncaras. Parece o Brasil dos anos oitenta. O objetivo é fazer com que os empresários assumam empréstimos, a juros baixíssimos, voltem a investir e criar empregos. A mágica não está funcionando porque o americano médio está muito endividado e também porque os bancos estão assustados com a quebradeira recente e a possibilidade de nova tsunami financeira, agora na Europa. As taxas de desemprego são desoladoras.

Inflação - O dólar está no meio dessa confusão. Há inflação na moeda norte-americana. Os preços sobem nos Estados Unidos. Custos de hoje não guardam semelhança com os de dez anos atrás. Mas a política de desvalorizar a moeda é um truque gasto, conhecido, antigo e muito praticado por países subdesenvolvidos que hoje são chamados de emergentes. Enfim, os pobres de outrora desvalorizavam a moeda, não raro mudavam seu nome, tudo com o objetivo de facilitar exportações e dificultar importações. E tornar difícil a vida do turista que decide passear no exterior. Essa história é conhecida.

No entanto, esse roteiro está sendo cumprido pelo governo dos Estados Unidos. Desvalorizar o dólar para facilitar exportações, reduzir importações e curar as enormes feridas dos déficits do comércio exterior. Tradicionalmente, o Brasil obtinha superávit nas relações comerciais com os Estados Unidos. Agora ocorre o contrário. Eles ganham no comércio com os brasileiros e ainda reclamam quando a presidente Dilma impõe uma sobretaxa aqui, outra ali. São tímidas medidas que não possuem grande repercussão, mas atrapalham negócios dos empresários do norte.

É difícil descrever hoje o cenário mundial no século passado quando o capitalismo triunfante deixou de enxergar desafios ou inimigos à sua frente. O muro de Berlim caiu, a União Soviética acabou e restou como comunista, no Ocidente, o regime dos irmãos Castro, em Cuba, que não ameaça mais ninguém. Na China, ao contrário, o comunismo se reinventou e descobriu uma incrível terceira via, com o capitalismo controlado pelo governo, que obteve notáveis ganhos. Os chineses conseguiram o prodígio de integrar 300 milhões de pobres ao seu mercado de consumo.

Milagres também possuem limites. O chinês está esbarrando nos seus próprios embaraços que são de natureza política. A sucessão no poder é sempre crítica. Nos países democráticos, a crise é a eleição. O voto popular decide quem entra e quem sai. No mundo das ditaduras, o processo é longo, sinuoso, difícil e envolve uma série de fatores que os não iniciados não percebem. A liderança entrou em processo de autofágico porque a disputa pelo privilégio de conduzir a segunda maior economia do planeta nos próximos dez anos é coisa muito séria. Vale tudo.

A onda - Mas os problemas europeus e norte-americanos chegam ao Oriente. Os grandes consumidores estão em recesso. Não há para quem vender. A China vai crescer, apenas, 7,2% neste ano, É um número incrível, mas inferior aos usuais 10% que os chineses cravaram nos últimos tempos. De novo, vale lembrar que o mundo está vivendo profunda mudança. Uns dizem, com convicção plena, que o capitalismo acabou. Se acabou, não tenho a menor ideia do que vai preencher seu lugar. No Brasil, a presença do Estado na economia tem se alargado. É uma onda. Vai e vem. Os maus resultados da Petrobras indicam que no setor de petróleo o melhor é o governo sair sem maiores explicações.

É raro uma empresa de petróleo apresentar prejuízo. A Petrobras conseguiu esse prodígio. Sua produção está estacionária há mais de cinco anos. A fabricação de veículos aumentou e a consequência está na importação de gasolina, óleo diesel e outros combustíveis. A autossuficiência foi para o brejo. A modificação do marco regulatório da exploração emperrou todo o processo. Os estados não produtores decidiram reivindicar parcela do que for obtido no comércio do minério. Então, a negociação parou e não foram realizadas novas licitações para prospecção. Em curtíssimo prazo, o país passou de exportador a importador de combustível.

São exemplos de mudanças profundas ocorridas no cenário interno e externo. A ministra Carmem Lúcia, do STF, fornece imagem interessante do momento. Ela lamentou seu próprio voto condenatório de políticos no processo do mensalão. Lembrou-se de enfatizar que a política é necessária, porque sem ela, o que resta é a guerra. Mas seu exercício exige ética. Punir políticos também é novidade no Brasil, um país que possui um complicadíssimo sistema representativo (só a Finlândia adota regime semelhante). A ministra afirmou que aqui os governos precisam fazer composições com outros partidos. Se não o fizerem correm o risco de cair.

A mudança está no ar. O dólar vale cada vez menos para desespero dos integrantes da equipe econômica brasileira. A política anda por baixo. Os economistas esgotaram as suas fórmulas mágicas. É um bom momento de colocar os pés no chão e olhar para o horizonte. Alguma coisa vai acontecer. Ou já aconteceu De concreto, só o PIB ridículo de 1,5% neste ano.

Artigo publicado hoje no Jornal de Brasília.

 

 

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26
Setembro de 2012
Mensalão

O julgamento da ação penal 470, o processo do mensalão, deverá ser encerrar na segunda semana de novembro. No dia 20 daquele mês, o presidente Ayres Brito deverá se aposentar e Joaquim Barbosa assumirá o posto. Os ministros trabalham com este horizonte. Concluir o trabalho ainda na presidência de Ayres Brito.

Depois disto, os ministros vão estudar a enxurrada de recursos, na forma deembargos que os advogados vão apresentar para debate dos ministros. o

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26
Setembro de 2012
Agendas

Presidente Dilma Rousseff, 26/09/2012 (Horário local de Nova Iorque/EUA: menos 1h em relação a Brasília)

08h00 - Partida para Brasília, Nova Iorque/EUA

17h30 - Chegada a Brasília (DF), Base Aérea de Brasília

 

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24
Setembro de 2012
Juros em alta

Alguma coisa mudou no humor dos investidores. No Boletim Focus que hoje foi divulgado pelo Banco Central os especialistas apostaram que os juros básicos       ( Selic) chegarão ao final do ano a 7,50% Para 2013, foi mantida e previsão de 8,25%. E, pela primeira vez após sete reduções seguidas, os analistas deixaram inalterada a projeção para o crescimento do (PIB) em 2012, a 1,57%. Para 2013, a expectativa foi mantida em 4%.

O mercado elevou seus números para a inflação neste ano pela décima primeira vez seguida, para 5,35%, ante 5,26% anteriormente. Para 2013, a estimativa para o IPCA foi mantida em 5,50%. A pesquisa Focus desta segunda-feira mostrou que o mercado manteve a previsão de que o dólar encerrará este ano a R$ 2.




 

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24
Setembro de 2012
Visão de jogo

Os militantes do PT estão perdendo a compostura. Em resposta ao artigo publicado aqui ontem recebi algumas mensagens agressivas, mal educadas, grosseiras e todas repetindo o mesmo mantra: o julgamento que está ocorrendo no STF é, na realidade, o início de um golpe de estado contra o Partido dos Trabalhadores.

Os argumentos são curiosos. O primeiro é o baixo nível de conhecimento específico dos ministros; o segundo é que a grande imprensa, aliada às elites, está promovendo o massacre público do partido e de seu principal líder, Lula. Lula, neste momento, é um cidadão comum, ex-presidente da República. Não sei como poderia acontecer um golpe de estado contra um presidente fora do poder.

O secretário de comunicação do PT, André Vargas, deputado pelo Paraná, vai mais longe: ele entende que as sessões do STF não poderiam ser públicas, nem transmitidas pela TV Justiça. Quer desligar as câmeras. Inacreditável. Os mecanismos do poder funcionaram bem quando os resultados convieram ao partido. Agora, que o mensalão tornou-se nítido, o processo virou golpe de estado.

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24
Setembro de 2012
Agendas

Presidente Dilma Rousseff, 24/09/2012 (Horário local de Nova Iorque/EUA: menos 1h em relação a Brasília)

 

- Sem compromissos oficiais

 

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23
Setembro de 2012
Tempo

O mal já está feito. A existência do que se chamou de mensalão está sendo fartamente comprovada no julgamento do assunto no Supremo Tribunal Federal. Advogados experientes previam decisões difíceis e resultados apertados. Ao contrário, as condenações estão ocorrendo por folgada maioria. Um ou outro caso, como o da condenação do deputado João Paulo, então presidente da Câmara, provocou a divisão do plenário. Todo o resto foi decidido por ampla maioria.

O conjunto de operadores da agência de publicidade, junto com a direção do Banco do Brasil e a presidência do Banco Rural foi condenado na sua totalidade. Não sobrou pedra sobre pedra. A engenharia financeira, aliás, foi digna de primeiro mundo. Empréstimos falsos para escamotear a origem do dinheiro e a utilização de terceiras empresas para também ocultar os caminhos do dinheiro. As verbas, aliás, eram entregues em casa, na agência do banco e em outros locais. E sempre em espécie.

Os partidos PP, PL, PMDB e PTB receberam esses pagamentos. O objetivo era votar com o governo no Congresso nas medidas de grandes impacto. O relator mostrou o maior volume de pagamentos nas vésperas de votações importantes no parlamento. A questão não é mais saber o que ocorreu, mas apenas a curiosidade sobre o destino de gente importante como o ex-deputado José Dirceu, o tesoureiro Delúbio Soares e o então operoso líder José Genoíno que, nos seus bons tempos, ficava na porta do plenário na Câmara dos Deputados comentando com jornalistas o que se passava lá dentro. O conjunto da obra foi desvendado.

Fato novo - Ocorreu, nestes dias, fato inusitado. O presidente do Senado interrompeu o recesso branco na casa para realizar no dia 26 de setembro a sabatina do novo ministro naquela casa, Teori Zavascki, que deverá será aprovado. Poderá tomar posse em seguida, ainda a tempo de participar de algumas das sessões deste complicado e rumoroso julgamento. Ele é um jurista que tem passado e pretende ter futuro. Mas poderá pedir vista do processo o que interromperá o julgamento por tempo indeterminado. À luz da história é pouco provável que um novo elemento se introduza na questão apenas para postergar a decisão. Mas existe o risco.

No entanto, é tarde. O julgamento conduzido pelos ministros do Supremo Tribunal Federal já indica de onde veio o dinheiro, como ele caminhou por diversos escaninhos do setor financeiro, até cair no bolso dos escolhidos a dedo por dirigentes do Partido dos Trabalhadores. Partidos que receberam esses valores alteraram o grau de apoio ao governo. PP e PTB saíram da oposição e se somaram ao PT. E o PL, que constava da base de apoio, reunia em sua base regional alguns dissidentes. Passou a votar em peso a favor do governo. A denúncia de Roberto Jefferson, então deputado do PTB, desmontou um poderoso sistema político-financeiro. Ele pagou o preço. Foi cassado na época e agora condenado.

Fins e meios - O ministro Joaquim Barbosa não aliviou. Disse que os parlamentares, integrantes do sistema, funcionaram como mercadoria neste negócio. Independentemente da conclusão do processo, e das penas imputadas a cada um dos réus, o esquema chamado de mensalão foi descoberto, dissecado, analisado e vocalizado para toda a Nação. Os petistas tentam reagir desqualificando os ministros do STF, que teriam reduzida cultura jurídica, ou explicando que o partido agiu como o PSDB fez em Minas na eleição para governador. O fato é que o PT não realizou o penoso exercício de admissão de culpa no momento adequado está agora diante de uma poderosa realidade. O esquema está a descoberto.

Se os fins justificam os meios, a compra de opiniões políticas e votos no Congresso para aprovar projetos importantes para o governo o mecanismo funcionou no curto prazo. Mas produziu estrago fenomenal. O governo Lula superou o escândalo na época, conseguiu reconduzir o presidente a seu segundo mandato e ainda elegeu sua sucessora. Ou seja, sem recorrer a expedientes pouco recomendáveis, o partido teve sucesso impressionante. O segundo mandato do presidente Lula foi cercado de êxito que atingiu seu auge com a eleição de Dilma Rousseff.

Essa história não terminará com o final do julgamento do Supremo. Vai além. Em primeiro lugar, torna-se absolutamente clara a necessidade de realizar a reforma política. No episódio em discussão, parlamentares foram muito além do razoável na defesa de seus interesses. Modificaram o voto do eleitor, transitaram da oposição para a situação. Os dirigentes do partido governistas imaginaram um sistema pelo qual era possível desviar dinheiro e satisfazer reivindicações de adversários. Saiu do controle. É curioso que tamanha era a quantidade de beneficiários que procuravam a agência do banco Rural em Brasília, que uma pessoa recebeu dinheiro sem ter nada a ver com o caso. Botou a grana no bolso e foi embora.

A política vai mudar. O efeito do julgamento na eleição municipal é reduzido porque nas cidades o interesse é local. Em assembléias legislativas, é prática usual dos governantes pagar mesada aos parlamentares. Aqui em Brasília, isso ocorreu de maneira escancarada. Na eleição presidencial, quando possivelmente também já terá sido julgado o chamado mensalão mineiro, o duelo das lideranças será mais vivo e objetivo. A compra de consciências parlamentares, se não vier a reforma partidária, terá que ser realizada de outra maneira, ainda mais engenhosa. O julgamento atual esgota o modelo. Mesmo porque já se sabe que até no Brasil não se pode enganar todo mundo durante todo o tempo.

Artigo publicado hoje no Jornal de Brasília.

 

 

 

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21
Setembro de 2012
Espionagem

Ocorreu uma tremenda barbeiragem no episódio de descoberta de um espião profissional atuando dentro do Palácio do Planalto. Ele estava utilizando senhas de terceiros para entrar em arquivos protegidos e acessar assuntos classificados como sigilosos. Segundo analistas que entendem do assunto o episódiofoi desastroso porque o espião conseguiu acesso a 235 arquivos confidenciais, que na origem são selecionados pela Polícia Federal.

Alguns destes arquivos apontam fragilidades no sistema de defesa nacional. No próximo ano o país vai receber a Copa das Confederações,  o Encontro Mundial da Juventude e a visita do Papa Bento, que deverá rezar missa para três milhões de pessoas na Base Aérea de Santa Cruz.

O governo brasileiro trabalha com a possibilidade de que vinte mil ônibus de peregrinos originários dos países vizinhos deverão chegar ao país. Fora os locais que deverão se dirigir aos locais de missa e concentração. A Polícia Federal estudou tudo isso e informou o Planalto.

Além disso, existem fragilidades no sistema de segurança na produção de petróleo e na utilização dos oleodutos. Enfim, existem pontos fracos na defesa brasileira. Esse espião teve acesso a alguns deles. Fez um estrago. E a ABIN colaborou para que nada pudesse ser apurado. O projeto da PF quando informada foi deixar o suspeito livre para conhecer suas ligações e só prendê-lo depois. A ABIN efetuou a prisão logo, dentro do Planalto, em seguida um juiz arbitrou a fiança e o suspeito já está solto e muito longe de Brasília.

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21
Setembro de 2012
Agendas

Presidente Dilma Rousseff,21/09/2012

09h15  - Gleisi Hoffmann, Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Palácio do Planalto

11h00 - Cerimônia alusiva à Semana Nacional de Trânsito 2012

12h00 - Tereza Campello, Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

15h00 - Miriam Belchior, Ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão,Palácio da Alvorada

15h45  - Ideli Salvatti, Ministra-Chefe da Secretaria de Relações Institucionais

 

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19
Setembro de 2012
Bolsa segura a alta

O pregão da Bolsa de Valores de São Paulo mantém a alta nesta quarta-feira, mas perdeu a força verificada no início dos trabalhos. No começo da tarde, a Bovespa operava com valorização de 0,06% aos 61.840 pontos. O dólar operava com estabilidade, negociado a R$ 2,021 na compra e R$ 2,023 na venda.

O mercado repercute o anúncio inesperado do governo do Japão de conceder mais estímulos à economia. O Comitê de Política Monetária do Banco do Japão decidiu aumentar seu programa de recompra de ativos, elevando-o para US$ 1,017 trilhão. Serão injetados US$ 130 bilhões na economia. Segundo analistas, o estímulo à economia japonesa favorece as commodities.

Na Europa, as Bolsas fecharam no positivo. O índice Ibex, da Bolsa de Madri, subiu 0,50%; o Dax, de Frankfurt, teve alta de 0,59%; o Cac, de Paris, teve alta de 0,54% e o FTSE, da Bolsa de Londres, avançou 0,35%.  Nos EUA, as Bolsas operam em alta, animadas pelo Japão e por dados mais positivos do mercado imobiliário. O S&P 500 sobe 0,20%; o Dow Jones avança 0,27% e o Nasdaq tem valorização de 0,13%.

Na Ásia, as Bolsas tiveram altas expressivas após o anúncio do pacote japonês. No Japão, o índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, fechou com alta de 1,19%. O índice Xangai Composto, da China, subiu 0,40%, enquanto o Hang Seng, da bolsa de valores de Hong Kong, fechou em alta de 1,16%. Na bolsa de Seul, o índice Kospi subiu 0,15%, a 2.007,88 pontos.




 

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19
Setembro de 2012
Agendas

Presidente Dilma Rousseff, 19/09/2012

10h00 - Aldo Rebelo, Ministro do Esporte, Palácio do Planalto

15h00 - Michel Temer, Vice-Presidente da República

 

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18
Setembro de 2012
Mensalão

Deixou de ser uma hipótese. Os argumentos e os fatos trazidos ao julgamento pelo ministro Joaquim Barbosa demonstraram que o valerioduto existiu e que o PT pagou para que deputados de diferentes partidos votassem a favor do governo em momentos especiais. O mensalão existiu, de verdade.

Os números e a sofisticação do negócio são impressionantes. Amanhã, o ministro relator deverá terminar de expor o caso e anunciar seu voto.  Vai ser devastador se continuar na mesma linha.

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18
Setembro de 2012
Agendas

Presidente Dilma Rouseff, 18/09/2012

10h00 - Gleisi Hoffmann, Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República 

11h00 - Ideli Salvatti, Ministra-Chefe da Secretaria de Relações Institucionais da  Presidência da República, Palácio da Alvorada

15h00 - Aguinaldo Ribeiro, Ministro das Cidades

16h00 -  Marco Antonio Raupp, Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação

 

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17
Setembro de 2012
Massacre

O ministro Joaquim Barbosa, relator da Ação Penal 470, o processo do mensalão, está lendo, neste momento, sua longa análise do processo que irá desaguar no voto condenando ou não os acusados do núcleo político, entre o ex-ministro José Dirceu. Ele já fez a ligação entre os repasses de dinheiro e as respectivas votações no Congresso. Elaborou também uma rápida radiografia dos partidos políticos para demonstrar que a aliança entre alguns partidos são completamente inexplicáveis porque os partidos são antípodas. Ideologias divergentes. Mas depois da entrega de dinheiro, deputados começaram a votar a favor do governo.

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17
Setembro de 2012
PIB desaba

Investidores, observadores e analistas consultados pelo Banco Central na última semana reduziram a estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto em 2012, para 1,57%, contra 1,62% na semana anterior. Para 2013, o Boletim Focus, hoje divulgado, manteve a expectativa de crescimento ao redor de 4%.

O mercado elevou a projeção para a inflação neste ano, mas reduziu a expectativa para 2013 depois de o governo ter anunciado medidas para diminuir as tarifas de energia.  A expectativa para a inflação no ano que vem dos analistas consultados foi reduzida a 5,50%, ante 5,54% na semana anterior.

Para este ano, por sua vez, a previsão dos analistas para inflação foi elevada para 5,26%, de 5,24% na semana anterior. Essa estimativa afasta-se ainda mais do centro da meta do governo, de 4,5% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

 

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17
Setembro de 2012
Agendas

Presidente Dilma Rousseff,17/09/2012

08h00 - Partida para Pelotas (RS), Aeroporto Salgado Filho - Porto Alegre (RS)

09h00 - Apresentação técnica sobre os estaleiros Quip e Rio Grande, Estaleiro Quip - Rio Grande (RS)

09h45 - Visita ao local de construção da P-58

10h30 - Visita ao local de construção da P-55, Estaleiro Rio Grande - Rio Grande (RS)

11h15 - Visualização do Dique Seco

12h00 - Visita aos estaleiros Quip e Rio Grande, Estaleiro Rio Grande - BR 292 - km 6,5 - Rio Grande (RS)

14h00 - Partida para Brasília (DF), Aeroporto de Pelotas (RS)

16h30  - Chegada a Brasília, Base Aérea de Brasília

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16
Setembro de 2012
Coréia na janela

Vale a pena juntar fatos. Nos anos setenta, século passado, a Coréia do Sul possuía a metade do produto interno brasileiro. E a quarta maior dívida externa do planeta, depois de Brasil, México e Argentina. Hoje o pequeno país asiático dispõe de PIB duas vezes maior que o brasileiro, índice de escolaridade infinitamente superior, indústria competitiva e voltada para a exportação. O Brasil regrediu à posição de grande exportador de matéria prima, como ao tempo do café, e sua indústria clama por subsídios e auxílios do governo federal. Não aguenta cinco minutos de concorrência externa.

O tempo passa e as pessoas custam a perceber.  A imprensa, jornais ou noticiários de televisão, se ocupam dos fatos do dia. Nada é mais antigo do que o fato ocorrido ontem. Um mês depois a notícia se transforma em peça de arquivo. São poucos os que conseguem juntar as ocorrências e manter perspectiva histórica, olhar distante e não comprometido daquilo que se quer observar. Tudo é rápido, fugidio de que resulta uma desmemoria coletiva. Os argumentos não se renovam, as discussões são antigas e ninguém se atreve a discutir novos caminhos.

Janela - O desastre brasileiro é brasileiro. Governos e empresários não trabalharam com determinação no sentido de buscar autonomia financeira e independência econômica. Os nacionais acreditaram mais nos slogans das agências de publicidade que a realidade que seus olhos foram capazes de enxergar. Os coreanos conseguiram contornar os problemas e a recessão da década perdida, a dos anos oitenta no século passado. Muita gente já estudou o assunto, mas as conclusões costumam ser complacentes com responsáveis. Agora, de novo, os fatos estão desfilando diante da janela brasileira.

O sistema chamado capitalista já deu demonstrações suficientes de sua fragilidade. Aconteceram crises pavorosas no México, na Rússia, na Argentina, no Brasil, agora nos países da zona do Euro e, em 2008, nos Estados Unidos. Os grandes quebraram, empresas do porte da General Motors precisaram de ajuda do governo para não fechar as portas. Não fosse isso, teriam colocado no desemprego milhares de pessoas. Apesar do inédito aporte de um trilhão de dólares, a economia norte-americana não se recuperou até agora. A eleição de Barack Obama está ameaçada porque ele não conseguiu nos seus quatro anos arrumar a bagunça legada por seu antecessor, o inacreditável George W. Bush.

Os países da Zona do euro estão, neste momento, em final de férias, na linha de tiro. O pessoal está voltando da praia, do descanso e vai perceber que o crédito secou, que o imposto aumentou e que a inflação está infernizando a todos. O desemprego está acima dos 20% da população economicamente ativa e castiga principalmente os mais jovens que não entrar no mercado. A Grécia, em especial, só tem pela frente o caminho de encolher cada vez mais para poder canalizar seus minguados recursos para pagamento dos bancos. E ninguém quer correr o risco de emprestar ainda mais para os poderosos de Atenas.

Barcelona - Não é impossível que os gregos descubram que não possuem muitas opções. A alternativa imediata é abandonar o euro e retornar ao dracma. Terá um custo. Mas o pesado fardo já está sendo distribuído pela sociedade, sempre, como é corriqueiro, de maneira desigual. Portugal é o próximo da lista. Depois, em algum momento no futuro, Espanha e Itália irão para a linha de tiro. Economistas fazem projeções com base em números. Neles não cabem exercícios políticos. A população de Barcelona deu o primeiro grito. A região contraiu dívida elevada. Precisa do socorro do poder central, que não está em condições de ajudar ninguém. Resta o caminho da autonomia. Foi o que eles mostraram nesta semana.

A sucessão de crises revela que a economia globalizada não consegue administrar seus próprios conflitos. Algo está fora da ordem. São muitas crises, muitas promessas de rearrumação do cenário que raramente chegam ao final. Antes que ocorra algo positivo, de novo o sistema desaba. Os economistas não mais possuem soluções milagrosas, nem formuladas para vencer conflitos e ultrapassar as barreiras. A economia norte-americana patina, a dos países da zona euro entra em recessão, a China reduz sua velocidade de desenvolvimento e o Brasil vai chegar ao final de 2012 com um pibinho, crescimento em torno de 1,5%.

A situação atual do mundo em crise não vai durar para sempre. Os países europeus vão ver surgir demandas nacionalistas, líderes chauvinistas e políticas contra migrantes que serão mais evidentes e eficazes. É o caminho para o confronto interno e o conflito de que poderá resultar o fracionamento de países. Aconteceu em passado muito recente. Pode ocorrer de novo[A1] . Os nacionalismos, sobretudo os europeus, possuem um toque de loucura que tem o poder de envolver a sociedade. Foi o que aconteceu na Itália e na Alemanha.

Bom momento para abrir os olhos. Não mais perder tempo. A política partidária brasileira é paroquial. Os políticos olham para a próxima eleição. O Congresso brasileiro existe apesar e além das crises externas. Deputados e senadores não se preocupam com o futuro. Não há projetos, considerações, ideias ou conjecturas sobre o que fazer diante da debacle externa. Um dia, a Europa vai se levantar, de uma ou de outra maneira. E os Estados Unidos, com seus formidáveis parques industrial e tecnológico, vai se reencontrar com o crescimento. E se medidas não forem tomadas agora, o Brasil poderá ver de novo uma Coréia passar diante de sua janela. É o desafio de Dilma.

Artigo publicado hoje no Jornal de Brasília.

 

 

 


 [A1]

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13
Setembro de 2012
Agendas

Presidente Dilma Rousseff, 13/09/2012

 

10h30 - Cerimônia de posse da nova ministra de Estado da Cultura, Marta Suplicy, Palácio do Planalto

15h00 - Cerimônia de lançamento do Plano Brasil Medalhas 2016

 

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12
Setembro de 2012
Salvação do euro

O Tribunal Constitucional Alemão aprovou a criação do fundo de resgate permanente da Europa de € 500 bilhões para os 17 países que usam o euro como moeda.. A Corte fez a ressalva de que o Parlamento alemão tem poderes de veto sobre qualquer aumento futuro no tamanho do fundo. E determinou que a participação alemã seja limitada a € 190 bilhões.

 O fundo tem por objetivo remediar a  crise da zona do euro. Será o instrumento apto para emprestar dinheiro a governos que não podem tomar empréstimos de outra forma. O fundo não poderia funcionar sem a participação da Alemanha. Depois de a Corte Constitucional do país ter dado sinal verde para o fundo, o presidente da Alemanha, Joachim Gauck, decidirá o quanto antes sobre a ratificação do novo fundo.

Cada vez mais, o euro é a moeda alemã.


 

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12
Setembro de 2012
Agendas

Presidente Dilma Rousseff, 12/09/2012

16h00 - Jorge Gerdau, Presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau, Palácio do Planalto

 

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11
Setembro de 2012
Nova ministra

 

Ana de Hollanda, do PCB (Partido de Chico Buarque) deixou o cargo de Ministra da Cultura depois de reclamar das reduzidas verbas destinadas aquela pasta. Ela será substituída pela Senadora Marta Suplicy (PT-SP), que foi surpreendida pelo convite. A posse da nova ministra está marcada para a próxima quinta-feira às 11 horas. É a décima-terceira mudança no ministério promovida pela presidente Dilma Rousseff.

 

Ana de Hollanda disse em carta que os baixos recursos colocam em risco até a existência de boa parte das instituições culturais. Além de baixos salários e a inexistência de plano de carreira. Ela lembrou a evasão de 53% dos funcionários aprovados no último concurso promovido pelo Ministério. Essa carta que vazou para a imprensa motivou sua saída. Marta Suplicy está sendo recompensada por ter sido preterida por Haddad na disputa pela prefeitura de São Paulo.

 

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11
Setembro de 2012
Agendas

 

Presidente Dilma Rousseff, 11/09/2012

 

11h00 – Cerimônia de anúncio de redução do custo de energia, Palácio do Planalto

 

15h00 – Ana de Hollanda, Ministra da Cultura

 

17h00 – Leônidas Cristino, Ministro-Chefe da Secretaria dos Portos

 

 

 

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10
Setembro de 2012
Novo ministro

 

Teori Zavascki deverá ser o novo ministro do Supremo Tribunal Federal em lugar de César Peluzo que recentemente se aposentou. A presidência da República anunciou hoje a decisão da presidente Dilma Rousseff. O nome do indicado deverá estar publicado no Diário Oficial de amanhã.

 

Teori Zavascki possui larga experiência jurídica. Ele é nascido em Santa Catarina, mas formou em direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi advogado, mas veio para Brasília onde prestou concurso e foi aprovado em 1976 no concurso do Banco Central. Advogou para o BC durante anos até ser convidado a integrar o Superior Tribunal de Justiça. Ele também é professor universitário. Dá aulas na UnB desde 2005.

 

O novo ministro deverá se submeter a sabatina no Senado Federal para depois tomar posse no STF. Se tudo andar rapidamente, ele ainda poderá assistir, em local privilegiado, no plenário, o julgamento da Ação Penal 470, o mensalão.

 

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10
Setembro de 2012
Bolsa abre no azul

 

O pregão da Bolsa de Valores de São Paulo abriu hoje em alta de 1,77% aos 59.355 pontos. O dólar opera de 0,19%, negociado a R$ 2,023 na compra e R$ 2,025 na venda.

 

Na Europa, as Bolsas sem rumo definido. O Ibex índice da Bolsa de Madri, cai 0,96%; o Dax, do pregão de Frankfurt, tem leva alta de 0,04%; o Cac, de Paris, recua 0,17% e o FTSE, da Bolsa de Londres, sobe 0,02%. Na Europa, a preocupação dos investidores é com o Banco Central Europeu que assumiu o compromisso de adquirir títulos soberanos de países com dificuldades para se refinanciar no mercado.

 

O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, fechou em que de 0,03%. O governo japonês informou que o PIB do país cresceu 0,7%, na comparação anualizada, no segundo trimestre de 2012. O índice Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, subiu 0,13% e na Bolsa de Shangai, na China, o índice Shangai avançou 0,34%.

 




 

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10
Setembro de 2012
Inflação em alta

 

Avalistas consultados pelo Banco Central, segundo o Boletim Focus hoje distribuído, estimam que a taxa Selic terminará o ano a 7,25%. O mercado elevou a previsão para a inflação deste ano, a 5,24%, ante 5,20% na semana anterior. Também reduziu a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 para 1,62%, ante 1,64% anteriormente. Para 2014, a projeção foi mantida em 4%.

 




 

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10
Setembro de 2012
Agendas

 

Presidente Dilma Rousseff, 10/09/2012

 

 

 

10h00 – Edison Lobão, Ministro de Minas e Energia, Pallácio do Planalto

 

 

 

Agendas dos outros poderes:

 

http://www.stf.jus.br/portal/principal/principal.asp

 

http://www2.camara.gov.br/

 

http://www.senado.gov.br/

 

 

 

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09
Setembro de 2012
Influências

A influência positivista no Brasil é conhecida e estudada. A primeira escola militar do país, a de Realengo, no Rio de Janeiro, foi dirigida e inspirada nas ideias do professor francês, Augusto Comte. Ele professa sua fé numa república forte, chamada de ditadura republicana, que nasceu como reação à Comuna de Paris. Seria necessário haver governo forte, disciplina e ordem, que seriam pré-condições, segundo a doutrina, para alcançar o progresso. Getúlio Vargas é o exemplo do político positivista no Brasil. Permaneceu quinze anos no poder como ditador. Depois, outros quatro como presidente.

Os governos militares também. Foi, aliás, neste período que o Brasil alcançou índices espetaculares de crescimento econômico. Manter a ordem, baixar o pau nos opositores, se enquadrava na doutrina. Só presidente Fernando Henrique tocou no assunto quando anunciou a política de privatizar empresas públicas. Fez a crítica à era Vargas e anunciou seu fim. O período Lula misturou um conceito a outro, o socialismo defendido por seus aliados. Acabou no meio do caminho. Insistiu na manutenção de empresas estatais, mas realizou concessões de rodovias para empresas privadas.

Origens - A presidente Dilma Rousseff, além de suas origens europeias, é nascida em Minas e criada profissionalmente no Rio Grande do Sul, no leito do PDT, partido de Leonel Brizola, herdeiro de Getúlio. É natural que o conceito de um executivo forte a tenha influenciado desde o início de sua vida política. Mas a vida é maior que as nossas abstrações, sejam políticas, culturais ou ideológicas. Nos últimos tempos, a Petrobras, catedral gótica do modelo econômico brasileiro, apresentou prejuízo financeiro monumental, surpreendente para uma empresa de petróleo que é monopolista. Sua produção está estacionária há cinco anos. O Brasil não é mais autossuficiente no setor. Depende de importações de gasolina e óleo diesel.

Nos últimos meses, a economia perdeu a velocidade. Quem tiver memória razoável vai se lembrar do ministro Guido Mantega no início do ano anunciando números bonitos para o crescimento do produto interno bruto em 2012. Algo em torno de 4%. Vai alcançar, no máximo, 1,5%, muito abaixo do previsto, longe dos nossos vizinhos e consequência das crises dos países da zona do euro, dos Estados Unidos e das dificuldades de comerciar com a Argentina. Além disso, descobriu-se que os preços brasileiros são absurdamente elevados. O custo Brasil inviabiliza investimentos e inibe o consumo.

Todas as mágicas foram tentadas na dezena de pacotes anunciados pelo Ministério da Fazenda. O dólar subiu de preço e as exportações não reagiram. Diversas taxas tiveram alíquotas modificadas e o resultado foi nulo. O modelo mostrou seu esgotamento. Fim da linha. Essas pré-condições levaram a presidente Dilma a fazer pronunciamento à Nação, na véspera do Sete de Setembro, que pode ser chamado de histórico. Ela sublinhou a vontade política de baixar preços em todos os segmentos da economia. Começou anunciando a redução da conta de luz, na faixa de 16% aos consumidores particulares e 28% para empresas. Isso a partir de janeiro. É o primeiro passo.

Ela lembrou que o Banco Central reduziu juros em proporção jamais ocorrida no país. Enfim, a palavra de ordem é reduzir preços e, surpresa, aumentar a concorrência entre empresas. Ou seja, o objetivo é permitir que a população desfrute de bens em melhores condições de compra e venda. O governo já anunciou ambicioso projeto de privatizar rodovias, construir e entregar à iniciativa privada dez mil quilômetros de ferrovias, além de colocar o capital privado em portos e aeroportos. A presidente disse que está promovendo uma revolução. Não está longe da verdade.

Longo prazo - São projetos de maturação longa. O trem de alta velocidade, por exemplo, se tudo correr dentro do previsto, estará circulando em torno de 2020. Vai ligar as cidades de Rio de São Paulo em apenas 90 minutos. Aeroportos serão modernizados e o brasileiro vai redescobrir as delícias do transporte ferroviário. Tudo isso é novidade. A novidade maior é que o modelo anterior foi discretamente colocado de lado, com justificativas razoáveis para a emergência. O governo perdeu a capacidade de agir. As mágicas de ontem não mais funcionam hoje. As ideologias foram esquecidas e, em nome do desenvolvimento, rasgaram a antiga fórmula. É louvável reconhecer as lições do momento e realizar as mudanças necessárias. Reaprender é preciso.

Ao lado disso, o momento político também é diferente. Muito diferente. Os ministros do Supremo Tribunal Federal estão caminhando em ambiente de plena liberdade para, com fundamento e muita discussão, condenar gente graduada. Pela primeira vez no Brasil, banqueiros estão seriamente ameaçados de passar algum tempo atrás das grades. O julgamento da ação penal 470, o chamado mensalão, provoca ansiedade em muita gente. Isso também é novidade. Todas as previsões anteriores de que os ministros seriam constrangidos por pressões políticas não se materializaram.

As eleições municipais também estão trazendo surpresas. Petistas tratam como remotas chances de vitória em Recife, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte e Fortaleza. Resta a incógnita de São Paulo. Tudo isso se conecta com os projetos da presidente Dilma. A maturação exige longo prazo. Ou seja, ela está fazendo um típico governo de primeiro mandato. Prepara-se para ficar mais tempo no Planalto e usufruir depois o que faz agora. Nesse sentido, é razoável relegar a ideologia para segundo plano.

Artigo publicado hoje no Jornal de Brasília.

 

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05
Setembro de 2012
Bolsa sobe

 

O pregão da Bolsa de Valores de São Paulo opera nesta tarde em alta de 0,88% aos 56.725 pontos, puxado pela valorização das ações de empresas de mineração e siderurgia. O dólar comercial está de 0,04% negociado a R$ 2,039 na compra e R$ 2,041 na venda.

 

Na Europa, as principais Bolsas fecharam em alta, com exceção de Londres. O índice Ibex, da Bolsa de Madri, avançou 0,08%; o Dax, de Frankfurt, teve alta de 0,46% e o Cac, de Paris, se valorizou 0,20%. O índice FTSE, de Londres, perdeu 0,25%. Nos EUA, os principais índices operam com volatilidade. O S&P 500 ganha 0,01%; o Dow Jones se valoriza 0,12% e o Nasdaq perde 0,06%.

 

Na Ásia, as Bolsas resultaram de informações sobre a fragilidade da atividade industrial nos EUA. Em Hong Kong, o índice Hang Seng teve queda de 1,47%, enquanto na China o Xangai Composto recuou 0,29%. Na bolsa de Tóquio, o índice Nikkei fechou em queda de 1,09% e na Coreia do Sul, o índice Kospi, da bolsa de Seul, caiu 1,74%.

 

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05
Setembro de 2012
Poder da Infraero

 

Grandes investidores presentes nos principais aeroportos do planeta não gostam da idéia de entrar no negócio no Brasil, tendo a Infraero como sócio majoritário. Por essa razão, o governo pode recuar da ideia de adotar um modelo alternativo de parceria com o setor privado nos aeroportos do Galeão, no Rio, e de Confins, em Belo Horizonte, segundo o qual a Infraero permaneceria como controladora do negócio.

 

O resultado desanimador da recente missão brasileira ao exterior para sondar interessados na proposta da parceria com a Infraero reforçou a posição do grupo que defende a adoção do modelo tradicional de concessão, adotado em Guarulhos (São Paulo), Viracopos (Campinas) e Brasília. Mas o lobby dos funcionários e dirigentes da Infraero é muito forte. A empresa, que já devia ter sido extinta, está viva . Sua diretoria sonha em controlar mais aeroportos no Brasil e até no exterior.

 

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05
Setembro de 2012
IPCA recua

 

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo subiu 0,41% em agosto, taxa semelhante à de julho, que foi 0,43%. O número de agosto é o maior em cinco anos para o mês. Com o resultado de agosto, o acumulado do ano está em 3,18%, abaixo dos 4,42% registrados em igual período do ano anterior. Considerando os últimos doze meses, o índice ficou em 5,24%.

 

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Perfil


André Gustavo Stumpf. Jornalista há mais de 40 anos, trabalhou em alguns dos principais jornais e revistas do País, reside em Brasília.

 

Recebeu vários prêmios e tem livros publicados. O mais recente deles, intitulado Da Minha Janela, foi lançado em 2010.

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