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Publicação: Quinta-feira, 10/05/2012 às 07:10:00

 

Força tarefa vai pedir a internação compulsória do menino de 11 anos viciado em crack

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Vinícius Borba
vinicius.borba@jornaldebrasilia.com.br

 

A situação de extremo risco a que está submetido o menino de apenas 11 anos viciado em crack, conforme mostrou a edição de ontem do Jornal de Brasília, levou a Secretaria de Justiça a montar uma força-tarefa para acompanhar o caso. Ontem eles visitaram a família e recolheram os documentos da criança para  solicitar judicialmente a internação compulsória. Apesar de o garoto consentir com a internação, ficou claro para as autoridades que a internação  em uma comunidade terapêutica, como a que ele já passou por três vezes sem concluir o tratamento, seria insuficiente.


Cantigas de roda ou músicas de bandas jovens não são os sons que embalam a realidade do garoto Rafael (nome fictício), de 11 anos, que desde os nove perambula pela área central de Brasília consumindo crack, pedindo esmolas e até traficando para manter o vício. A música que tem na ponta da língua é o rap do grupo Pacificadores, Eu queria mudar, com uma letra de  pouca esperança, ilustrando a marginalidade que mata crianças como ele.


 A música retrata a vida de sofrimento e criminalidade de meninos desde a fuga de casa, que levou Rafael  aos oito anos pela primeira vez para as ruas. “Quando fugi pela primeira vez foi para não apanhar com um amigo. Vi que dava para curtir e ficar de boa”, disse o garoto. Na sequência, várias fugas se repetiram, agora em direção ao Plano Piloto. “A galera me deu droga e eu curti. Depois eu queria mais, e comecei a fugir da escola também, porque até dos professores eu chegava a roubar. Aí desisti de ir para escola e não queria mais ficar em casa”, diz o menino.


A avó, com quem vivia, chegou a trancá-lo em casa para evitar as fugas, mas nada era suficiente.  A violência das ruas revoltou tanto quanto a de casa, quando pela hiperatividade ele não conseguia focar a atenção em nada. “A Polícia cansou de me pegar e dar surra. Eles diziam que iam me levar para o mato e matar se eu ficasse de rolê” conta. Com desenvoltura na fala pela visível inteligência que detém, utilizada tantas outras vezes para sair de enrascadas nas ruas e pagar os traficantes com quem fazia vendas para sustentar o vício, atuava como “vapor”, nome dado aos pequenos que ficam nas ruas repassando o tóxico.
Feridas nos pés denunciam a situação de desgaste físico do menino, com dificuldade de cicatrizar as feridas em função da sujeira constante. “Quero sair dessa vida”, diz, com alguma esperança.


Outros casos


O caso de Rafael não é isolado. A presidente da Comunidade Terapêutica Transforme, Claudia Brito, relata a história de um menino nas mesmas condições de Rafael que acabou de maneira muito pior. “Uma hora eles acabam devendo a algum traficante e não conseguem mais pagar, aí a morte fica inevitável. Um dos que passaram pela comunidade tinha perfil muito parecido com o dele. Tentamos de tudo e a mãe acompanhou até quando pode”, conta.


Um dia, o menino teria arrumado uma dívida que não conseguiu pagar. “Traficantes deram-lhe cinco facadas. Ele sobreviveu. Não satisfeitos, o encontraram novamente, amarraram a mãe e o irmão para assistir. Tocaram fogo nele. Mas o garoto não morreu. Depois de tanta desgraça, ele foi internado com 70% do corpo queimado. Sobreviveu, mas vive totalmente deformado, com seríssimas dificuldades”, relata.

 

 



Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br
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